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30 de maio de 2026

São João de Maceió: investimento cultural ou vitrine política com dinheiro público?

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Em uma cidade marcada por carências sociais, grandes eventos reacendem o debate sobre cultura, turismo, transparência, valorização dos artistas locais e uso dos recursos públicos em ano eleitoral

O São João está chegando com força em Maceió. A programação do São João Massayó 2026 promete noites de festa, grandes atrações, turistas na capital e movimento importante para hotéis, bares, restaurantes, ambulantes, motoristas, comerciantes e trabalhadores da cultura.

Mas, por trás das luzes do palco e da alegria popular, uma pergunta volta a incomodar parte da população: até que ponto grandes festas bancadas com dinheiro público representam investimento em cultura e turismo, e quando passam a soar como prioridade questionável?

A discussão é delicada porque o São João representa identidade, tradição, música, comida, encontro e pertencimento. Para muita gente, também significa trabalho e renda. Um grande evento pode aquecer a economia, fortalecer o turismo e dar visibilidade a Maceió em um período estratégico do calendário nordestino.

O problema é que a mesma cidade que celebra também convive com carências profundas. Há bairros que cobram infraestrutura, comunidades que enfrentam serviços públicos frágeis, famílias apertadas pelo custo de vida e moradores que sentem dificuldades na saúde, no transporte, na limpeza urbana e na segurança. Para essas pessoas, ver cifras altas destinadas a grandes shows pode gerar desconforto, principalmente em um momento em que o brasileiro sente no bolso o peso das contas do mês.

Não se trata de negar a importância da cultura. Uma cidade sem festa, sem arte e sem tradição perde parte da sua alma. Mas dinheiro público exige explicação pública. Quanto custa a festa? Quais artistas foram contratados? Quais critérios foram usados? Quanto fica com artistas locais? Qual retorno econômico real o evento promete entregar?

Outro ponto sensível é a valorização dos artistas locais. Todos os anos, músicos, bandas e profissionais da cultura reclamam da diferença de espaço, visibilidade e remuneração em relação às grandes atrações nacionais. A Prefeitura afirma que o São João Massayó também valoriza nomes da terra, mas a cobrança permanece: qual é a proporção real do investimento destinado aos artistas alagoanos? Quanto do orçamento fica na economia cultural local e quanto vai para cachês de artistas de fora?

Essa resposta é importante porque a festa junina não deve ser apenas vitrine para grandes nomes nacionais. Em uma cidade que defende a cultura como identidade e estratégia econômica, valorizar quem produz arte em Alagoas também precisa ser prioridade, com critérios claros, pagamento justo e espaço de destaque na programação.

Em ano eleitoral, o debate fica ainda mais sensível. Grandes eventos geram visibilidade, movimentam multidões e produzem imagens fortes para qualquer gestão. Por isso, a fronteira entre política pública de cultura e vitrine eleitoral precisa ser observada com atenção.

No caso de Maceió, a Prefeitura defende o São João Massayó como estratégia para fortalecer o turismo, movimentar a economia criativa e ampliar a presença da capital no calendário dos grandes eventos nordestinos. Esse argumento tem peso. O turismo gera renda e pode beneficiar milhares de trabalhadores.

Mas a cobrança social também tem peso. O cidadão que paga imposto quer festa, mas também quer posto de saúde funcionando. Quer cultura, mas também quer rua limpa, escola bem cuidada, transporte digno, segurança e respeito às comunidades que vivem longe dos cartões-postais.

A pergunta central não é se Maceió deve ter São João. A festa faz parte da identidade nordestina e pode ser uma importante ferramenta econômica. A pergunta é outra: a cidade está usando o dinheiro público para gerar desenvolvimento, valorizar a cultura local e dar retorno real à população, ou apenas apostando em grandes palcos enquanto problemas antigos seguem esperando solução?

Entre a alegria da festa e a responsabilidade com o dinheiro público, Maceió precisa mostrar que sabe celebrar sem esquecer de quem mais precisa ser visto.

Redação IO
Imagem Ilustrativa

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