
Carlos Aliberto passou pelo HGE depois do episódio; Marlan Ferreira atribui a agressão ao deputado Antônio Albuquerque, que ainda não apresentou publicamente sua versão
Uma denúncia de violência em meio a um rompimento político ampliou a pressão por respostas em Alagoas.
O prefeito de Limoeiro de Anadia, Marlan Ferreira, manifestou solidariedade ao vereador de Anadia Carlos Aliberto dos Santos e acusou publicamente o deputado estadual Antônio Albuquerque de responsabilidade pela suposta agressão sofrida pelo parlamentar municipal. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito classificou o caso como grave e defendeu uma investigação rigorosa pelos órgãos competentes.
Carlos Aliberto afirma que o episódio ocorreu durante uma reunião em Maceió, convocada para tratar do rompimento de uma aliança política. Segundo os relatos divulgados por familiares, uma discussão teria evoluído para agressões físicas dentro de uma sala utilizada pelo deputado. O vereador precisou passar por atendimento no Hospital Geral do Estado.
A acusação é grave, mas ainda precisa ser comprovada por investigação, testemunhos, registros médicos e eventuais imagens do local. Até esta atualização, as autoridades responsáveis não haviam confirmado oficialmente que Antônio Albuquerque participou da agressão. O deputado também não havia apresentado publicamente sua versão sobre o episódio.
“O mandato pertence ao povo”
Ao se pronunciar, Marlan Ferreira afirmou que um representante eleito deve exercer o mandato com liberdade, sem intimidação ou violência. Para o prefeito, uma agressão contra um vereador não atinge apenas a vítima, mas também a população que lhe concedeu o mandato.
O gestor destacou ainda a ligação histórica entre Limoeiro de Anadia e Anadia e declarou que não poderia permanecer em silêncio diante da repercussão do caso. Também defendeu que os responsáveis sejam punidos, caso as acusações sejam confirmadas pelo devido processo legal.
A manifestação amplia o peso político da denúncia. O episódio deixa de ser apenas um conflito entre duas lideranças e passa a levantar uma questão maior: um vereador foi pressionado ou agredido por decidir mudar de grupo político?
Essa resposta não pode vir de discursos, vídeos ou versões isoladas. Precisa surgir de uma apuração técnica e independente.
Uveal pede apuração e reage contra intimidação
A União dos Vereadores do Estado de Alagoas informou que acompanhará o caso e adotará medidas se forem comprovadas agressões motivadas por divergências políticas. O presidente da entidade, Neto Bomfim, visitou Carlos Aliberto e publicou uma nota de repúdio contra violência e intimidação de representantes municipais. A entidade também formalizou um pedido para que a Polícia Civil investigue o episódio.
Neto Bomfim afirmou que práticas associadas ao chamado “coronelismo” não podem ter espaço na política atual. A declaração é forte, mas precisa ser acompanhada de providências concretas: preservação de provas, identificação de testemunhas, exame de corpo de delito e esclarecimento sobre todas as pessoas presentes na reunião.
O que ainda precisa ser esclarecido
A apuração deverá determinar onde exatamente ocorreu a reunião, quem estava no local e qual foi a participação de cada pessoa. Também será necessário verificar a existência de câmeras de segurança no edifício, registros de entrada e saída, mensagens de convocação e eventuais testemunhas.
Outros pontos exigem resposta:
Quais lesões foram constatadas no atendimento médico? O vereador realizou exame de corpo de delito? Houve boletim de ocorrência? Algum segurança ou assessor participou do episódio? O deputado estava presente durante toda a reunião?
Essas perguntas não antecipam culpa. Elas delimitam o que precisa ser investigado para que o caso não termine apenas em acusações públicas e notas de repúdio.
Violência política não pode ser normalizada
Rompimentos, mudanças de apoio e divergências fazem parte da atividade política. Agressão física, ameaça e intimidação, não.
Caso a denúncia seja confirmada, o episódio representará uma tentativa grave de constranger o exercício livre de um mandato popular. Caso a apuração demonstre uma dinâmica diferente, essa conclusão também deverá ser apresentada com transparência.
O que não pode ocorrer é o silêncio institucional diante de uma acusação dessa dimensão.
Carlos Aliberto merece proteção, atendimento e uma investigação séria. Antônio Albuquerque tem direito de apresentar sua defesa e de não ser tratado como culpado antes da conclusão dos fatos. A sociedade, por sua vez, tem direito de saber o que realmente aconteceu naquela sala.
A Polícia Civil precisa esclarecer oficialmente quais medidas já foram adotadas e quem conduz a investigação.
Redação IO
Imagem Ilustrativa








