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29 de julho de 2026

Justiça afasta servidores em operação que investiga obras de escolas em Murici

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Operação Delivery cumpriu mandados em Murici e Maceió, determinou o sequestro de R$ 1,3 milhão e apreendeu mais de R$ 178 mil em moedas nacional e estrangeiras

Servidores públicos municipais foram afastados de suas funções por determinação da Justiça Federal durante uma operação que investiga suspeitas de corrupção e desvio de recursos federais destinados à execução de obras públicas em Murici, na Zona da Mata de Alagoas.

Batizada de Operação Delivery, a ação foi deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (28), com o apoio da Controladoria Regional da União em Alagoas. As apurações envolvem contratos relacionados à construção e reforma de unidades escolares e quadras esportivas no município.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Murici e Maceió. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados no total de R$ 1.301.762,59, medida destinada a preservar recursos para um possível ressarcimento aos cofres públicos.

Além das buscas e do sequestro patrimonial, foi determinada a suspensão do exercício das funções públicas de servidores investigados. Os nomes, cargos e quantidade de agentes públicos afastados não foram divulgados pela Polícia Federal.

Dinheiro em real e moedas estrangeiras foi apreendido

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram R$ 123 mil em moeda nacional, além de US$ 1.697, 7.345 euros e 550 libras esterlinas.

De acordo com a Polícia Federal, os valores apreendidos correspondem, após a conversão das moedas estrangeiras, a R$ 178.048,31. A origem do dinheiro e sua eventual relação com os fatos investigados ainda serão analisadas no decorrer do inquérito.

As apreensões fazem parte das diligências destinadas a aprofundar a investigação e identificar o caminho dos recursos envolvidos nas contratações públicas.

Investigação começou após apreensão de R$ 270 mil

A apuração teve início em novembro de 2025, depois que um homem foi preso em flagrante pelo crime de corrupção ativa. Segundo a PF, ele foi abordado enquanto transportava R$ 270 mil em dinheiro vivo.

A partir do flagrante, os investigadores realizaram novas diligências e análises que apontaram indícios de solicitação e pagamento de vantagens indevidas envolvendo servidores municipais e empresas responsáveis por obras públicas.

Conforme a investigação, agentes públicos teriam solicitado o pagamento de percentuais calculados sobre os valores dos contratos. Em contrapartida, as empresas receberiam informações privilegiadas e favorecimento em procedimentos licitatórios e na execução dos serviços contratados.

As suspeitas estão relacionadas a contratos de construção e reforma de escolas e quadras esportivas financiados, ao menos parcialmente, com recursos públicos federais.

Atuação da CGU

A Controladoria-Geral da União participou da operação por meio de sua unidade regional em Alagoas. O trabalho do órgão envolve a análise da aplicação dos recursos federais e das possíveis irregularidades nos procedimentos administrativos e contratos examinados.

A participação da CGU ocorre porque a investigação envolve recursos provenientes da União, embora as obras tenham sido contratadas e executadas no município.

As apurações deverão examinar documentos, aparelhos eletrônicos, movimentações financeiras e outros materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados.

Investigação permanece em andamento

A Operação Delivery está em fase investigativa. O afastamento cautelar dos servidores e o sequestro de bens não representam condenação definitiva dos envolvidos.

Os agentes públicos e empresários citados no inquérito terão direito à defesa e ao contraditório. A eventual responsabilização dependerá da análise das provas, da conclusão das investigações e das decisões posteriores do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Até a publicação desta matéria, a Polícia Federal não havia divulgado os nomes dos servidores afastados nem informado se novas fases da operação serão realizadas.

Também não foi localizada uma manifestação oficial da Prefeitura de Murici sobre a operação. O espaço permanece aberto para o posicionamento da administração municipal e das defesas dos investigados.

Redação IO
Imagem Ilustrativa

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