
PT pressiona por espaço na chapa, enquanto aliados defendem um nome com força eleitoral em Maceió; decisão deve ser anunciada em 5 de agosto
A chapa de Renan Filho ao Governo de Alagoas chega à reta final das convenções com uma das decisões mais importantes ainda em aberto: quem será o candidato a vice-governador?
Embora o MDB já tenha consolidado Renan Filho como seu nome para o governo e encaminhado a composição para o Senado, o partido mantém sob sigilo as negociações envolvendo a vice. A definição está concentrada no pré-candidato e nas principais lideranças emedebistas e pode ser revelada apenas durante a convenção estadual, marcada para 5 de agosto, em Maceió.
O mistério não é apenas uma estratégia para movimentar os bastidores. A escolha poderá determinar o alcance eleitoral da chapa, o equilíbrio entre os partidos aliados e a capacidade de Renan Filho ampliar sua presença na capital, considerada um dos principais desafios de sua candidatura.
PT quer ocupar a vaga
O Partido dos Trabalhadores aparece como o principal interessado na indicação do vice. A legenda já oficializou apoio a Renan Filho para o governo e às candidaturas de Renan Calheiros e José Wanderley ao Senado, reforçando sua participação na aliança comandada pelo MDB.
Nos bastidores, dirigentes petistas defendem que a presença do partido na chapa majoritária daria maior coerência ao discurso de aproximação de Renan Filho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-ministro tem destacado a parceria com o governo federal em agendas públicas e adotado sinais políticos claros de alinhamento com Lula. Para o PT, apoiar a chapa sem ocupar nenhum dos principais postos poderá reduzir seu protagonismo na campanha estadual.
Entre os nomes mencionados nas articulações estão o presidente estadual do PT, Ronaldo Medeiros, o ex-deputado estadual Judson Cabral e a sindicalista Dafne Orion. Até o momento, porém, nenhum deles foi confirmado oficialmente como favorito.
Maceió pesa na decisão
Parte dos aliados do MDB defende um perfil diferente: alguém com inserção política e eleitoral em Maceió.
A avaliação é de que Renan Filho possui uma estrutura consolidada no interior, mas precisa fortalecer sua competitividade na capital, onde enfrentará diretamente o grupo liderado por JHC. Nesse cenário, a vaga de vice deixa de ser apenas uma concessão partidária e passa a funcionar como instrumento de ampliação territorial da candidatura.
Um nome com atuação na capital poderia ajudar a aproximar a chapa de setores urbanos, movimentos sociais, categorias profissionais e eleitores que não estão diretamente ligados à base tradicional do MDB no interior.
A dúvida permanece: o MDB privilegiará a fidelidade da aliança com o PT ou escolherá um nome considerado eleitoralmente mais competitivo em Maceió?
Renan Filho e Calheiros controlam a escolha
As negociações vêm sendo conduzidas de forma reservada por Renan Filho e pelo senador Renan Calheiros.
Até agora, não existe indicação segura sobre o perfil escolhido. Não se sabe publicamente se será homem ou mulher, integrante do PT ou de outro partido, representante da capital ou liderança do interior.
O silêncio permite que o MDB negocie diferentes interesses até o último momento, mas também alimenta expectativas e pressões dentro da própria aliança.
Para o PT, o tempo está se esgotando. Para o MDB, antecipar o nome poderia gerar resistências antes que todos os acordos estejam amarrados.
Chapa para o Senado está encaminhada
Enquanto a vaga de vice continua indefinida, o quadro para o Senado aparece mais consolidado.
O MDB nacional apresenta Renan Filho como candidato ao Governo de Alagoas e relaciona Renan Calheiros e Dr. Wanderley entre os nomes da chapa ao Senado. A aliança estadual também vem divulgando apoio a Renan Calheiros e José Wanderley para as duas vagas.
A convenção estadual deverá formalizar as candidaturas majoritárias e proporcionais, além de confirmar quem acompanhará Renan Filho na disputa pelo Palácio República dos Palmares.
Escolha poderá definir o tom da campanha
O vice não costuma concentrar o mesmo nível de atenção do candidato ao governo, mas, neste caso, a definição poderá enviar uma mensagem política importante.
Caso o nome venha do PT, a chapa reforçará sua identidade de alinhamento com Lula e garantirá maior espaço ao partido na coligação. Caso o MDB escolha uma liderança de Maceió ou de outra legenda, o movimento indicará que a prioridade foi ampliar a competitividade eleitoral e construir uma aliança mais extensa.
Também existe a possibilidade de o partido buscar um nome que reúna os dois critérios: proximidade com o campo governista e presença eleitoral relevante na capital. Até a convenção, qualquer nome deve ser tratado como possibilidade, e não como decisão tomada.
Convenção será o momento das respostas
O MDB marcou sua convenção para 5 de agosto, no Hotel Ritz Lagoa da Anta, em Cruz das Almas, Maceió. A expectativa é de que o evento oficialize Renan Filho como candidato ao governo, apresente a composição completa da chapa e encerre o mistério em torno do vice.
A decisão terá consequências que vão além da fotografia da convenção. Ela poderá definir o grau de participação do PT, a estratégia para enfrentar JHC em Maceió e o equilíbrio interno da aliança durante toda a campanha. Por enquanto, o MDB preserva o segredo. Mas faltam poucos dias para que a estratégia dê lugar a uma escolha concreta.
Redação IO
Imagem: Reprodução








