
Medida busca esclarecer uma possível motivação financeira para o crime que matou Yago Gomes e Denivaldo Jardel dentro de uma viatura da Polícia Civil
A Justiça de Alagoas autorizou a quebra dos sigilos bancário e financeiro do policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho, de 61 anos, réu pelas mortes dos colegas de corporação Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47. O duplo homicídio aconteceu em maio, dentro de uma viatura, em Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano.
A decisão foi proferida pela juíza Jéssica Lourenço de Sá Santos, da 1ª Vara de Delmiro Gouveia, durante o recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas. A medida pretende verificar se houve alguma movimentação econômica ou financeira relacionada às mortes.
Movimentações de quatro meses serão analisadas
A quebra do sigilo alcançará os três meses anteriores ao crime e o mês seguinte às mortes. A análise deverá procurar transferências consideradas atípicas, operações de valores elevados e outras movimentações que possam ajudar a esclarecer a motivação do caso.
A magistrada também determinou que a delegacia responsável pelo inquérito apresente, no prazo de dez dias, as mídias contendo os dados telemáticos extraídos durante a investigação e mencionados em um laudo pericial.
Essas informações deverão ser anexadas ao processo e poderão ampliar o conjunto de elementos avaliados pela Justiça durante a ação penal.
Policiais foram mortos durante retorno de ocorrência
O crime aconteceu na madrugada de 20 de maio de 2026, quando os três policiais civis retornavam de uma ocorrência e seguiam para a Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.
Segundo a acusação, Gildate estava no banco traseiro da viatura e teria efetuado disparos contra Yago e Denivaldo, que ocupavam os bancos dianteiros. Os dois agentes morreram no local. O policial foi preso poucas horas depois.
Em depoimento, Gildate afirmou que havia ingerido bebida alcoólica e que não se recordava do momento dos disparos. A motivação do duplo homicídio continua sendo apurada.
Yago perseguia o sonho de se tornar delegado
Além da comoção provocada pelas mortes dos dois agentes, o caso interrompeu os planos profissionais e familiares de Yago Gomes.
Advogado de formação e integrante da Polícia Civil de Alagoas desde 2023, Yago havia sido aprovado na primeira fase de um concurso para delegado da Polícia Civil do Distrito Federal. Ele se preparava para participar da etapa seguinte da seleção.
A informação foi confirmada à TV Pajuçara pelo tio do policial, o delegado sergipano Luciano Cardoso. Yago era natural de Aracaju, casado e pai de uma menina que completaria cinco anos poucos dias depois de sua morte.
Entre o trabalho policial, os estudos e a dedicação à família, Yago buscava alcançar o cargo de delegado. A trajetória, no entanto, foi interrompida dentro da própria viatura da instituição que ele havia escolhido servir.
Denivaldo Jardel também teve sua trajetória profissional interrompida de forma violenta. Natural de Pernambuco, o agente tinha 47 anos e estava ao lado de Yago durante o retorno da ocorrência. A Polícia Civil lamentou as mortes e destacou os serviços prestados pelos dois policiais à sociedade alagoana.
O processo contra Gildate continua em andamento. Caberá à Justiça analisar as provas e definir a responsabilidade criminal do réu, garantindo-se o direito de defesa e o princípio da presunção de inocência.
Redação IO
Imagem Ilustrativa








