
Pré-campanha ao Governo entra em nova fase, com Renan Filho buscando transformar obras em força eleitoral e JHC tentando colocar em dúvida as entregas do adversário
A disputa pelo Governo de Alagoas ganhou um novo contorno nas últimas semanas. De um lado, Renan Filho, do MDB, tenta consolidar no interior a imagem de gestor que deixou obras, investimentos e presença nos municípios. Do outro, JHC, do PSDB, busca questionar esse legado e impedir que o adversário transforme memória administrativa em vantagem eleitoral.
O movimento mostra que a pré-campanha deixou a fase de ensaio. Agora, a disputa passa a ser pela narrativa. Renan aposta no interior, nos prefeitos, vereadores e lideranças municipais. JHC tenta deslocar o debate para a crítica ao passado do ex-governador e à efetividade das entregas feitas durante os dois mandatos no Palácio República dos Palmares.
A estratégia de Renan é clara: apresentar a pré-campanha como uma espécie de prestação de contas. Em cada município, o senador tenta associar sua imagem a obras de infraestrutura, avanços na saúde, educação, segurança e investimentos realizados durante sua gestão estadual. Para aliados, esse histórico ainda tem peso eleitoral principalmente fora de Maceió, onde prefeitos e lideranças locais costumam ter influência direta sobre a formação de opinião.
JHC, por sua vez, tenta impedir que essa memória seja tratada como consenso. Ao questionar o legado de Renan, o ex-prefeito de Maceió busca colocar dúvida sobre a narrativa de eficiência administrativa construída pelo adversário. É uma estratégia de confronto direto: se Renan quer falar de entregas, JHC tenta discutir o que ficou pendente, o que não chegou à ponta e o que pode ser reavaliado pelo eleitor.
O problema para JHC é que a ofensiva acontece em meio a um desgaste próprio. O caso Banco Master, envolvendo aplicações de recursos do IPREV Maceió durante sua gestão, entrou no centro das cobranças políticas e sindicais.
Entidades de servidores já pediram investigação à Polícia Federal sobre operações financeiras relacionadas ao instituto previdenciário municipal. Até o momento, as apurações e cobranças não significam culpa ou responsabilização formal do ex-prefeito, mas criam um ambiente político desconfortável para quem tenta pautar a gestão do adversário.
É nesse ponto que a disputa ganha força. Renan tenta transformar experiência administrativa em confiança. JHC tenta transformar questionamento em oportunidade. Um fala ao interior com a força da máquina política construída ao longo dos anos. O outro tenta furar essa rede apostando na imagem de renovação, comunicação direta e confronto com o grupo dos Calheiros.
A eleição, portanto, começa a se desenhar menos como uma disputa apenas entre nomes e mais como um choque entre duas versões de Alagoas. Na versão de Renan, o Estado avançou com obras, programas e articulação municipal. Na versão de JHC, esse legado precisa ser revisado, questionado e comparado com uma proposta de mudança.
O eleitor do interior deve ser peça decisiva nesse tabuleiro. É nos municípios menores, longe da capital, que Renan tenta ampliar vantagem política e onde JHC precisa provar que sua força não ficou concentrada em Maceió. Para vencer a narrativa estadual, o ex-prefeito terá de mostrar capilaridade, alianças e presença real fora da capital.
A pré-campanha ainda está longe do período oficial, mas o tom já subiu. Renan Filho cresce no interior e aposta no peso do passado administrativo. JHC reage tentando desconstruir esse mesmo passado, enquanto precisa responder aos desgastes herdados da própria gestão.
No fim, a pergunta que começa a mover a eleição em Alagoas é direta: o eleitor vai premiar o legado de Renan ou aceitar a tese de JHC de que esse legado precisa ser colocado em xeque?
Redação IO
Imagem Ilustrativa








