
Mão de milho chega a R$ 70 em pontos tradicionais da capital, enquanto comerciantes apostam na virada das vendas com a aproximação das festas juninas
O mês de junho começou, as bandeirolas já aparecem pelas ruas e o cheiro de comida típica começa a tomar conta das casas. Mas, em Maceió, um dos principais símbolos do São João chegou às bancas com um aviso claro ao consumidor: o milho está pesando no bolso.
Em pontos tradicionais de venda da capital, como a Praça da Faculdade, o Mercado da Produção e feiras espalhadas pela cidade, a chamada mão de milho, geralmente formada por 50 espigas, pode ser encontrada com preços que variam bastante. Dependendo da qualidade, do tamanho da espiga e da origem da mercadoria, o valor pode ir de R$ 35 a R$ 70, e em alguns levantamentos de preços aparece ainda mais próximo da faixa de R$ 80.
Para muita gente, o milho não é apenas mais um item da lista de compras. Ele é base da canjica, da pamonha, do bolo, do mungunzá, do milho cozido e de boa parte da memória afetiva que acompanha o período junino no Nordeste.
Por isso, quando o preço sobe ou assusta, o impacto não fica apenas no comércio. Ele chega à mesa das famílias.
Neste início de mês, comerciantes relatam que a procura ainda está abaixo do esperado. O movimento, segundo vendedores, costuma ganhar força a partir da segunda semana de junho, quando as famílias começam a organizar os arraiais, as escolas intensificam as festas juninas e cresce a busca por produtos típicos.
A expectativa é que a chegada de novas cargas, especialmente de estados vizinhos como Pernambuco, ajude a equilibrar os preços nos próximos dias. Parte do milho vendido em Maceió vem de outros municípios e também de outros estados, o que faz o valor oscilar conforme safra, transporte, oferta, qualidade e negociação com fornecedores.
Essa variação explica por que o consumidor pode encontrar preços tão diferentes de uma banca para outra. Em alguns locais, a mão de milho mais barata costuma ser formada por espigas menores ou de qualidade inferior. Já o milho maior, mais bonito e mais procurado para receitas tradicionais tende a custar mais.
O problema é que o consumidor também chega mais cauteloso. Com alimentação, gás, transporte e outros itens do orçamento apertando, muita gente passou a pesquisar mais antes de comprar ou reduzir a quantidade levada para casa.
O São João continua sendo uma das épocas mais esperadas do ano, mas o bolso das famílias tem definido o tamanho da festa.
Para os comerciantes, o desafio é equilibrar preço e volume de vendas. Quem trabalha há anos com milho sabe que junho é curto, intenso e decisivo. Se a procura demora a engrenar, a preocupação aumenta. Se a demanda dispara perto dos dias principais, o preço pode subir novamente.
O consumidor, por sua vez, precisa redobrar a atenção. A orientação é comparar valores em diferentes pontos da cidade, observar a qualidade das espigas, evitar compras por impulso e, sempre que possível, antecipar a aquisição antes da alta concentração de procura nas vésperas de São João e São Pedro.
A tradição junina resiste, mas sente o peso da economia. Em Maceió, o milho segue sendo protagonista da festa. A diferença é que, em 2026, ele também virou termômetro do custo de celebrar.
Redação IO
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