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12 de abril de 2024
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“Nosso projeto é uma alternativa popular para Maceió”, diz Valéria Correia

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Valéria Correia, candidata do PSOL a prefeitura de Maceió, conversa com apoiadores durante ato na orla. (Foto: Assessoria/Josivan Paulino).

As eleições 2020 já estão batendo a nossa porta e pensando nisso o Imprensa Online realiza uma série de entrevistas com os candidatos a prefeitura de Maceió. O objetivo é ampliar o debate político dando vozes a todos os protagonistas e ajudar o eleitor a fazer a melhor escolha para a gestão dos próximos anos da capital alagoana.

Por isso, diante de uma linha editorial democrática, ficou determinado que todos os candidatos vão responder as mesmas perguntas para ajudar na comparação das ideias de cada candidato.

A entrevistada de hoje é Valéria Correia, candidata do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Doutora em serviço social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pós-doutora em política de saúde e ex-reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Valéria tem como vice o líder comunitário Igor da Silva (PSOL). Veja a entrevista na íntegra:

1. Quem é a candidata Valéria Correia?

“Sou uma mulher que, desde muito cedo, se indignou com as desigualdades sociais, e sempre sonhou e lutou por uma sociedade mais justa. Assumi postos de liderança, começando nos movimentos das pastorais da Arquidiocese de Maceió. Depois, como assistente social da Secretaria de Estado da Educação e da Saúde e, desde 1994, na Ufal, nos trabalhos de extensão e pesquisa, até ser eleita reitora em 2015, cumprindo um mandato de janeiro de 2016 a janeiro de 2020. Lá, enfrentamos os ataques do governo federal às universidades públicas, cerceando a autonomia e o financiamento”.

2. O que a motiva e a qualifica a concorrer ao cargo de prefeito de Maceió?

“Tenho experiência de gestão do 3º maior orçamento do Estado de Alagoas e da maior instituição pública do Estado, a UFAL. Durante 4 anos enfrentamos com ousadia e altivez do governo Bolsonaro com seus cortes no orçamento das universidades, a perseguição, o maltrato aos professores, às professoras e às universidades, perante a opinião pública. Resistimos e conseguimos, em um esforço coletivo, inserir a Ufal em rankings internacionais, melhorando os índices acadêmicos e concluindo mais de 25 obras. Entre elas, o mais moderno complexo esportivo do Nordeste e abrindo mais dois restaurantes universitários. Os cinco restaurantes universitários passaram a adquirir os produtos da agricultura familiar, movimentando a economia local e levando alimentação saudável para a comunidade universitária. Aprovamos o uso do nome social e estabelecemos a política de cotas na pós-graduação para negros, quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. Ousamos ao trazer o maior evento científico da América Latina para Maceió, movimentando o turismo na cidade e trazendo conhecimento para as famílias e, provamos que os espaços públicos podem ser ocupados ao realizarmos a maior Bienal que Alagoas já teve nas ruas de Jaraguá. No Hospital Universitário ampliamos leitos, acabamos com a máfia das fichas que geravam filas e implantamos o sistema eletrônico de marcação de consultas; implantamos atendimento especializado para a população transexual, sala de atendimento para a população indígena, entre outros serviços. Quero levar essas e outras experiências para o povo de Maceió”.

3. O que representa a sua candidatura a prefeitura de Maceió?

“Nosso projeto de governo é uma alternativa popular para Maceió. Se coloca de forma diferente ao que está posto pelos candidatos, dos mesmos grupos, que se revezam no poder de Alagoas. Primeiro é preciso que a população entenda que não temos relação alguma e não representamos os interesses de tais grupos. Representamos os interesses dos que passam quatro anos aguardando o olhar do poder executivo e recebem, na maioria das vezes, migalhas. Queremos mudar essa realidade, enfrentando os interesses dos que se acham poderosos, das elites no poder, a partir dos interesses da participação do povo, da moralização da máquina pública e da articulação das iniciativas das pessoas mais desassistidas pelo Estado: as famílias camponesas, assentadas, quilombolas, indígenas e negras, LGBTQI+, os servidores e servidoras públicos, os assalariados e as assalariadas do setor privado que têm muitas vezes vínculos de trabalho precários na certeza de que é possível o nosso povo maceioense ter motivos reais e de sobra para sorrir”.

4. Na sua opinião, quais são os maiores problemas da capital alagoana?

“Identifico que os maiores desafios estão centrados em cinco pilares: saúde, educação, habitação, mobilidade e trabalho/renda. Na saúde, cito a desorganização do CORA e o seu uso político para beneficiar redutos eleitorais que geram filas para a população. Na educação há um grave problema quanto à valorização das professoras e professores. O número de crianças sem oferta de creches e a pouca oferta de escola de tempo integral. Na habitação, existe escassez de moradia para a população de Maceió o que revela a ausência do protagonismo da prefeitura quanto à formulação de políticas de moradia. Na mobilidade, Maceió tem poucas vias de acesso. Isso causa um caos urbano, acidentes, impactos ambientais e uma piora na qualidade de vida da população. A cidade tem mais de 200 mil automóveis e cerca de 80 mil motocicletas”.

5. Como o seu plano de governo vai lidar com esses desafios?

“Na saúde, teremos uma política de saneamento básico com prioridade para os bairros da periferia, reorganizar o CORA, fazendo eleições e acabar com as indicações políticas. Vamos acabar com as filas, para isso vou realizar concursos públicos para ampliar a Estratégia Saúde da Família, aumentando a oferta de serviços qualificados. Valorizar os profissionais de saúde revendo o Plano de Cargos, Carreiras e Salários. Na educação, também, não é diferente: Valorização do professor. Sem isso, nenhuma política pública para educação para em pé. Isso significa instituir um plano de carreira coerente com a importância desse profissional, que é imprescindível na definição do nosso futuro, já que são responsáveis pela educação formal de nossas crianças. Esse é o primeiro elemento. O segundo é focar nas escolas dos bairros mais pauperizados, ampliar o número de creches e escolas de tempo integral e atuar para que a escola participe mais ativamente da vida das comunidades, sediando atividades (organizadas pela Secretaria de Educação) itinerantes nos fins de semana. Já na moradia, vamos assumir o protagonismo na criação do Programa Meu Lar, Meu Sorriso com a construção de moradias populares. Na mobilidade, vamos começar revisando todas as licitações das empresas de ônibus para que atendam às necessidades da população reduzindo tarifas e concedendo passe livre para estudantes. Vamos aumentar a oferta de ônibus e os horários de circulação para que toda a população tenha acesso à cidade sem sufoco e de forma segura. Investiremos em ciclovias e em bicicletas compartilhadas, na periferia e em vias de maior fluxo”.

6. Quais são suas prioridades na gestão da prefeitura de Maceió?

“Nossa prioridade é combater a desigualdade obscena de nossa cidade. Entendemos que a felicidade do nosso povo não pode ser plena enquanto houver miséria e pobreza como fruto da excessiva concentração de renda. Vamos envidar nossos esforços para distribuir renda entre nossos habitantes via política tributária, como já dito. É com distribuição de renda que teremos maior dinamismo econômico, uma formação de uma classe média estruturada em trabalhos com direitos e não esses empregos precarizados criados nos últimos anos. Nesses próximos quatros anos lançaremos as bases para um outro projeto da cidade e de organização comunitária, ancorada num maior controle da população em relação à administração pública, destinando espaço para construção de orçamento participativo. Nossas prioridades são distribuir renda e aproximar o povo da prefeitura para que as políticas do município estejam em sintonia que a maior parte das pessoas que fazem, diariamente, nossa cidade”.

7. Qual é o diferencial do seu plano de governo?

“Como já afirmei anteriormente, nosso plano de governo não tem representatividade, tampouco compromissos com a linha geral autoritária e elitista das famílias oligárquicas que prevaleceram quase sempre na condução da prefeitura e de Alagoas. Nosso plano de governo se diferencia porque ele é compromissado com as Marias e os José’s, os Antônio’s, e os Silvas que vivem excluídos; é pautado na participação popular para que todos tenham acesso a uma cidade justa e igualitária. Nosso projeto de governo não utilizará pulso firme para massacrar a juventude da periferia. Nosso plano de governo garante a igualdade de direitos no Estado Democrático. Enquanto os candidatos majoritários defendem a privatização dos serviços públicos e retiradas dos direitos apoiando a reforma administrativa do governo Bolsonaro nosso plano de governo é fortalecer os serviços e os servidores públicos para que assim a população tenha acesso a bons serviços públicos e possam utilizar sua renda com outros serviços e não com aqueles que já paga através dos impostos”.

8. Como é possível desenvolver políticas para uma cidade como Maceió que possui riqueza e pobreza convivendo lado a lado?

“Nossa prioridade é combater a desigualdade obscena de nossa cidade. Entendemos que a felicidade do nosso povo não pode ser plena enquanto houver miséria e pobreza como fruto da excessiva concentração de renda. Vamos envidar nossos esforços para distribuir renda entre nossos habitantes via política tributária. É com distribuição de renda que teremos maior dinamismo econômico, uma formação de uma classe média estruturada em trabalhos com direitos e não esses empregos precarizados criados nos últimos anos. Nesses próximos quatros anos lançaremos as bases para um outro projeto da cidade e de organização comunitária, ancorada num maior controle da população em relação à administração pública, destinando espaço para construção de orçamento participativo. Nossas prioridades são distribuir renda e aproximar o povo da prefeitura para que as políticas do município estejam em sintonia que a maior parte das pessoas que fazem, diariamente, nossa cidade”.

9. Ao menos quatro bairros de Maceió (Pinheiro, Bebedouro, Mutante e Bom Parto) vêm enfrentando uma grave crise estrutural e essa situação pode se estender para outras localidades próximas. Como o senhor (a) enxerga essa problemática e quais soluções podem ser tomadas a curto e médio prazo para socorrer as famílias afetadas?

“É importante frisar que a mineração predatória e irresponsável da empresa ocasionou tais danos, conforme laudos técnicos respaldados, nesse sentido. A empresa deve ser punida justamente, indenizar, de fato, os atingidos pela mineração, seja a vida humana e a não humana interrompida. Algo que não ocorreu no acordo apresentado. As atividades da empresa devem ser interrompidas e analisadas para que se constate se, de fato, seguem a legislação ambiental. A forma como o Judiciário e os gestores públicos trataram o caso permitiu que os atingidos passassem por outro processo negativo, pois o acordo não abarca os danos, como denunciado pelos próprios moradores. Propomos: Análise técnica valorativa dos danos com participação dos atingidos, revisão do acordo para que ele seja indenizatório e célere, não meramente compensatório, que abarque os danos aos empreendimentos, aos setores públicos e civis da sociedade alagoana, danos ambientais, sanções a empresa (indenizatório, restritivo a contratos públicos e civil). Reforçar os órgãos de fiscalização e monitoramento das áreas, com atualização de dados contínuos. Criação de um Grupo de Trabalho Popular que discuta todos os assuntos envolvidos no tema, bem como a finalidade das áreas desocupadas pelos moradores”.

10. Por fim, caso seja eleita, o que a população pode esperar de Valéria Correia como prefeita?

“A experiência que tive enquanto reitora da Ufal me fez perceber que só com a participação dos trabalhadores e dos usuários é possível atingir grandes resultados. Esse modelo de gestão popular que implementei na Ufal foi determinante para que nossa universidade federal entrasse no ranking das melhores universidades do mundo. Meu governo será de diálogo constante com a população. Quero fortalecer os conselhos municipais e garantir que os representantes da sociedade civil organizada que lá estiverem possam fiscalizar o andamento e execução das políticas relacionadas à sua área. Quero também priorizar a execução das políticas que sejam decididas a partir de reuniões abertas à sociedade e venham a se tornar parte do orçamento da prefeitura através do Orçamento Participativo. Meu governo será para o povo, pelo povo e com o povo de Maceió”.

Candidata do PSOL a prefeitura de Maceió, Valéria Correia, conversa com eleitores durante a campanha. (Foto: Assessoria/Josivan Paulino).

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