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9 de junho de 2026

Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 é denunciada por falsa identidade e estelionato em SC

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Caso chocou o país após investigação apontar que a acusada viveu por 14 meses com uma família que acreditava ter acolhido uma adolescente em situação de vulnerabilidade

Uma mulher de 37 anos foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina pelos crimes de falsa identidade e estelionato após, segundo a investigação, ter se passado por uma adolescente de 12 anos para enganar uma família em Joinville. O caso ganhou repercussão nacional pela forma como a história teria sido construída e pelo tempo em que a acusada permaneceu vivendo na casa das vítimas.

De acordo com as apurações, a mulher usava o nome falso de “Gabriele” e teria conseguido convencer a família de que era uma menina em situação de vulnerabilidade. Ela foi acolhida após procurar uma igreja e relatar que fugia de maus-tratos. A partir daí, ganhou a confiança da comunidade religiosa e acabou sendo recebida por uma família, onde permaneceu por cerca de 14 meses.

O caso é considerado grave não apenas pela suspeita de falsidade, mas pela carga emocional usada para sustentar a versão apresentada às vítimas. A investigação aponta que a mulher teria relatado abusos, problemas de saúde e outras situações sensíveis para comover quem a acolheu. Para justificar a aparência adulta, dizia que os traços físicos seriam consequência de uso forçado de hormônios durante a infância.

A encenação, segundo a Polícia Civil, incluía comportamentos infantilizados. A mulher teria usado elementos associados ao universo infantil para reforçar a falsa identidade e manter a confiança da família. O episódio chegou ao ponto de a casa adaptar parte da rotina à suposta adolescente, incluindo cuidados, acolhimento e até comemoração de aniversário.

O que torna o caso ainda mais perturbador é a suspeita de que a situação não teria sido isolada. A Polícia Civil informou que há registros de episódios semelhantes em outros estados, com dinâmica parecida. Em outras palavras, a denúncia em Santa Catarina pode representar apenas mais um capítulo de uma sequência de histórias que agora passa a ser analisada com maior atenção pelas autoridades.

A mulher segue presa preventivamente. A denúncia ainda será analisada pela Justiça. Caso seja recebida, ela passará formalmente à condição de ré e responderá ao processo pelos crimes apontados pelo Ministério Público.

A defesa da acusada informou que recebeu a denúncia com serenidade e que aguarda a realização de exame pericial para avaliar a sanidade mental da investigada. Segundo a defesa, o processo ficará suspenso até a conclusão do laudo técnico, previsto para ser juntado aos autos após a perícia.

O caso levanta uma discussão incômoda: até onde pode chegar a manipulação da boa-fé de pessoas que tentam ajudar alguém em aparente situação de abandono? A família, segundo a investigação, acreditava estar protegendo uma adolescente vulnerável. No entanto, acabou envolvida em uma história que agora é tratada como possível golpe.

Também há um alerta para instituições religiosas, famílias e redes de acolhimento. A solidariedade é indispensável, mas precisa caminhar junto com checagem, documentação, acionamento dos órgãos competentes e acompanhamento formal.

Quando uma situação envolve suposto menor de idade, o caminho seguro passa por Conselho Tutelar, assistência social, Ministério Público e autoridade policial, especialmente quando não há documentos ou quando a narrativa apresenta pontos difíceis de confirmar.

O caso de Joinville expõe uma mistura delicada de empatia, vulnerabilidade, possível fraude e falhas de verificação. De um lado, pessoas que abriram a porta de casa movidas pela confiança. De outro, uma acusação de que essa confiança teria sido explorada por uma mulher adulta, que agora terá de responder à Justiça.

A investigação segue sob análise judicial. Até decisão definitiva, prevalece a presunção de inocência. Ainda assim, o episódio já deixa uma lição dura: acolher é um gesto humano, mas proteger também exige responsabilidade, cuidado e verificação.

Redação IO
Imagem: Reprodução PCSC

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