
Grupo formado por 25 profissionais, liderado por Raudrin de Lima e Dêvis Klinger Menezes, anuncia posicionamento para o dia 1º e promete transformar influência digital e experiência de mobilização em participação eleitoral
Um movimento formado por 25 jornalistas independentes promete acrescentar um novo ingrediente ao cenário eleitoral de Alagoas. O grupo, articulado por Raudrin de Lima e Dêvis Klinger Menezes, decidiu abandonar a posição de mero espectador do processo político e prepara, para o próximo dia 1º, uma declaração pública de voto.
A intenção, segundo seus integrantes, não será apenas a de revelar preferências eleitorais, mas também a de participar ativamente da mobilização em torno dos candidatos escolhidos pelo coletivo.
O movimento chama atenção pela composição e, sobretudo, pela trajetória de suas principais lideranças. Raudrin e Klinger são oriundos do movimento estudantil e carregam uma experiência política construída antes da consolidação das redes sociais como principal arena de disputa de narrativas. O grupo sustenta que essa experiência de organização presencial, agora combinada com a comunicação digital, poderá ampliar sua capacidade de influência na campanha.
Raudrin de Lima foi tesoureiro da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA), enquanto Dêvis Klinger Menezes chegou a ocupar a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE). Os dois participaram de movimentos de mobilização estudantil e política e afirmam ter acumulado experiência na organização de atos, articulação de lideranças e formação de redes.
É justamente essa memória das ruas que o grupo pretende transportar para 2026. Seus integrantes recordam a participação conjunta em grandes mobilizações populares e estudantis, incluindo o movimento dos caras-pintadas em Alagoas, citado pelo grupo como demonstração de sua capacidade histórica de articulação.
A diferença é que, mais de duas décadas depois, a rua deixou de ser o único território de disputa. WhatsApp, Instagram, portais, podcasts, vídeos e redes de relacionamento passaram a funcionar como extensões do antigo trabalho de base.
A decisão de declarar voto coletivamente nasceu, segundo as lideranças, depois de reuniões internas e discussões sobre o papel que o grupo deveria assumir nas eleições. Existe, entre seus integrantes, uma ala que defende uma participação mais explícita no processo eleitoral, sob o argumento de que a independência jornalística não significa necessariamente neutralidade política individual. O desafio será estabelecer uma separação transparente entre opinião política, militância pessoal e produção de conteúdo jornalístico.
“Existe uma ala que quer se manifestar nessas eleições. Como somos um grupo coeso, fizemos algumas reuniões com as lideranças e iremos entrar na guerra para elegermos os nossos candidatos. De uma coisa fiquem certos: nosso grupo sabe mexer no tabuleiro do xadrez”, declarou Raudrin de Lima.
A escolha das palavras não é casual. O grupo pretende trabalhar a eleição como uma disputa simultânea de território, narrativa, influência e mobilização. A aposta está menos na força isolada de cada integrante e mais na capacidade de atuação coordenada de profissionais que possuem redes próprias de relacionamento e canais de comunicação.
“Temos experiência de rua e de mobilização. Vivemos política desde a adolescência. Hoje nos reinventamos no digital e preparamos nosso grupo para o enfrentamento político de que Alagoas precisa. Somos cidadãos que exercem a cidadania com veemência”, afirma Dêvis Klinger Menezes.
A entrada organizada de jornalistas no debate eleitoral certamente provocará reações. Para alguns setores, profissionais da imprensa deveriam evitar manifestações políticas explícitas. Para outros, jornalistas são cidadãos e podem declarar suas escolhas, desde que exista transparência e que a opinião, o ativismo e a notícia não sejam apresentados ao público como se fossem a mesma coisa. É justamente nesse ponto que o movimento será observado e cobrado.
O peso político do anúncio, portanto, não será medido simplesmente pelos 25 nomes envolvidos. A questão central será descobrir quantas pessoas esses jornalistas conseguem alcançar, convencer e mobilizar, presencialmente e nas plataformas digitais. Em uma eleição disputada também nos celulares e nos grupos de WhatsApp, redes de confiança podem ter valor político muito superior ao tamanho formal de uma organização.
Os nomes dos candidatos que receberão o apoio ainda são mantidos em suspense. A estratégia aumenta a curiosidade em torno do anúncio marcado para o dia 1º e transforma a declaração em um movimento político calculado. Quando os nomes forem revelados, será possível avaliar com maior precisão em quais disputas o grupo pretende concentrar sua capacidade de mobilização.
Uma coisa, porém, já está definida: os 25 jornalistas decidiram sair da arquibancada. Eles querem entrar no tabuleiro eleitoral alagoano, carregando uma combinação pouco comum de experiência histórica de mobilização, comunicação, presença territorial e influência digital.
Se conseguirão efetivamente mexer nas peças, somente as urnas poderão responder. Mas o anúncio já coloca uma pergunta no ambiente político de Alagoas: quanto vale eleitoralmente uma rede organizada de comunicadores que decidiu transformar influência em mobilização?
Redação IO
Imagem: Reprodução








