
Investigação aponta fogo intencional, versões divergentes e presença de combustível na kitnet; defesa sustentou que o caso foi um acidente doméstico
A Polícia Civil de Alagoas indiciou Ana Beatriz dos Santos por homicídio qualificado pela morte do namorado, Luiz Gustavo Nascimento Lins, de 29 anos. Ele morreu após sofrer queimaduras graves em um incêndio registrado em uma kitnet no bairro do Farol, em Maceió.
Luiz Gustavo, conhecido como “Mãozinha”, era entregador e um dos fundadores da Movimento Resistência Azul (MRA), torcida organizada ligada ao CSA. O incêndio ocorreu no dia 1º de abril, na Avenida Moreira e Silva.
Segundo informações atribuídas à investigação, a Polícia Civil reuniu elementos que apontariam que o incêndio foi provocado intencionalmente. Entre os pontos considerados no inquérito estão a presença de combustível armazenado no imóvel e divergências nos relatos apresentados sobre o início do fogo.
Durante o atendimento médico, Ana Beatriz teria mencionado uma possível explosão causada por vazamento de gás. A apuração policial, no entanto, teria constatado que o botijão, as mangueiras e os componentes do fogão estavam intactos, sem sinais de ação térmica compatíveis com essa hipótese.
Posteriormente, durante exame realizado no Instituto Médico Legal (IML), ela afirmou que havia gasolina armazenada na residência e que o combustível teria provocado a explosão. A investigada também sofreu queimaduras em diferentes partes do corpo e precisou ser internada.
Em abril, quando ainda estava hospitalizada, Ana Beatriz negou que o incêndio tivesse sido criminoso e declarou que Luiz Gustavo havia salvado sua vida. Na ocasião, a defesa sustentou que o episódio foi um acidente doméstico e afirmou que a gasolina era utilizada para abastecer a motocicleta da vítima.
A reportagem mais recente sobre o indiciamento informou que a defesa da investigada não foi localizada para comentar a conclusão do inquérito. O espaço permanece aberto para manifestação.
O procedimento foi encaminhado à Vara do Tribunal do Júri de Maceió. Caberá agora ao Ministério Público de Alagoas analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e decidir se oferece denúncia contra a investigada.
O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de autoria e materialidade, mas não equivale a uma condenação. Ana Beatriz permanece investigada e tem direito à defesa e à presunção de inocência durante o processo.
Redação IO
Imagem: Reprodução








