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20 de maio de 2026

Grupo Mateus reduz quadro e fecha lojas em fase de ajuste operacional

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O Grupo Mateus, uma das maiores redes de varejo alimentar do Norte e Nordeste, atravessa uma fase de ajuste operacional após um período de forte expansão. A companhia reduziu parte do quadro de colaboradores e encerrou unidades consideradas menos eficientes, em um movimento voltado à recuperação de produtividade, controle de custos e preservação de margens.

Segundo dados divulgados ao mercado, o número de colaboradores em parte das operações caiu de aproximadamente 47,9 mil para 41,2 mil pessoas, o que representa uma redução próxima de 13,9%. O movimento foi associado a operações em estados como Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia. Não há, até o momento, detalhamento público por estado sobre o número de desligamentos.

Fechamento de lojas faz parte de reorganização

Publicações de mercado apontam que o grupo encerrou 28 lojas dentro desse processo de reorganização. A medida ocorre em um momento no qual grandes redes varejistas buscam revisar estruturas, reduzir operações de menor desempenho e concentrar esforços em unidades com melhor retorno.

A decisão não significa, necessariamente, retração ampla da empresa. O movimento indica uma mudança de prioridade: menos velocidade de expansão e mais foco em eficiência operacional, integração de unidades e rentabilidade.

Esse tipo de ajuste é comum em companhias que crescem rapidamente. Depois de abrir lojas, expandir presença regional e incorporar novas operações, chega o momento de revisar custos, produtividade, logística e desempenho por unidade.

Receita cresce, mas lucro recua

No primeiro trimestre de 2026, o Grupo Mateus registrou receita líquida de R$ 9,4 bilhões, alta de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento foi impulsionado principalmente pela consolidação do Novo Atacarejo, pelo avanço do atacado B2B e pelo desempenho do segmento de eletro.

Apesar do aumento da receita, o lucro líquido atribuído ao Grupo Mateus foi de R$ 212,9 milhões, queda de 21,8% na comparação anual. O resultado mostra que a empresa segue com grande capacidade de venda, mas enfrenta pressão sobre rentabilidade.

As vendas em mesmas lojas, indicador que mede o desempenho de unidades já existentes, recuaram 7,3% no trimestre. O dado ajuda a explicar a necessidade de ajustes, especialmente em um cenário de consumidor mais cauteloso, deflação em algumas categorias de alimentos e competição intensa no atacarejo.

Margens pressionadas exigem nova estratégia

O EBITDA pós-IFRS 16 somou R$ 543 milhões no trimestre, com queda de 7,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já o EBITDA pré-IFRS 16 ficou em R$ 399,8 milhões, recuo de 18,2%.

Na prática, os números indicam que o crescimento da receita não foi suficiente para impedir a pressão sobre o resultado operacional. Custos, despesas, integração de operações e menor ritmo de vendas comparáveis afetaram o desempenho.

Por isso, a companhia passou a reforçar uma estratégia mais seletiva, com foco em produtividade, melhoria de margem e revisão de canais de venda que apresentavam menor retorno.

Novo Atacarejo mantém relevância no Nordeste

Mesmo com os ajustes, a integração do Novo Atacarejo segue como ponto importante na estratégia regional do Grupo Mateus. A operação ampliou a presença da companhia no Nordeste e contribuiu para o crescimento da receita no trimestre.

Para Alagoas, esse ponto merece atenção. Embora os cortes divulgados estejam associados a outros estados, a presença do grupo no mercado nordestino tem impacto direto sobre emprego, fornecedores, concorrência e dinâmica de preços.

O setor de atacarejo vive um momento de disputa intensa. Grandes redes precisam equilibrar preço competitivo, custo logístico, despesas com pessoal, aluguel, energia e margem. Nesse contexto, ajustes operacionais passam a ser parte da estratégia de sobrevivência e consolidação.

Impacto social também pesa

Além da leitura empresarial, a redução de milhares de postos de trabalho tem impacto social relevante. Em regiões onde grandes redes varejistas estão entre os principais empregadores privados, qualquer ajuste no quadro afeta renda familiar, consumo local e arrecadação.

O desafio do Grupo Mateus será manter competitividade sem comprometer a confiança de trabalhadores, consumidores, fornecedores e investidores. A empresa continua sendo uma das principais forças do varejo alimentar brasileiro, mas entra agora em uma etapa de maior disciplina operacional.

Depois de anos de expansão acelerada, o grupo passa a ser cobrado não apenas por crescimento, mas por rentabilidade, eficiência e sustentabilidade no longo prazo.

Redação IO
Imagem: Reprodução

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