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21 de maio de 2026

Alcolumbre adia votação de Benedito Gonçalves ao CNJ e amplia tensão no Senado

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adiou nesta quarta-feira (20) a votação em plenário da indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para o cargo de corregedor nacional de Justiça no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A decisão ocorreu após a votação chegar a ser aberta no plenário. Dos 67 senadores presentes na Casa, apenas 59 registraram voto. Diante do número de votantes, Alcolumbre optou por cancelar a análise e deixar a indicação para outra sessão.

A justificativa formal foi o baixo quórum. Para ser aprovado, o nome indicado precisa receber maioria absoluta no Senado, ou seja, pelo menos 41 votos favoráveis. Ao anunciar o adiamento, Alcolumbre afirmou que ainda há prazo, já que a posse do novo corregedor está prevista para 3 de setembro.

Indicação havia avançado na CCJ

Mais cedo, a indicação de Benedito Gonçalves havia sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A votação na CCJ terminou com 21 votos favoráveis e 5 contrários, em votação secreta.

O nome do ministro foi indicado pelo STJ e relatado pelo senador Cid Gomes (PSB-CE), que apresentou parecer favorável. Após a aprovação na comissão, a indicação seguiu em regime de urgência para o plenário, mas acabou sem conclusão.

Na prática, o adiamento não representa rejeição. Mas politicamente, o movimento expõe a sensibilidade da indicação e mostra que o governo e seus aliados ainda precisam garantir ambiente mais seguro para a votação definitiva.

Por que a indicação é sensível

Benedito Gonçalves é um nome de forte trajetória no Judiciário. Está na magistratura desde 1988 e chegou ao STJ em 2008. Também integrou o Tribunal Superior Eleitoral entre 2019 e 2023.

A indicação, no entanto, ganhou peso político porque Benedito foi relator de uma das ações que resultaram na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro por abuso de poder político. Esse histórico tornou a sabatina mais sensível e ampliou a resistência de senadores da oposição.

Durante a discussão no Senado, parlamentares se dividiram entre manifestações de apoio e críticas ao nome do ministro. Integrantes da oposição defenderam que a votação fosse concluída mesmo com os 59 votos registrados, mas a presidência da Casa decidiu interromper o processo.

Cargo tem poder de fiscalização sobre o Judiciário

A Corregedoria Nacional de Justiça é uma das funções mais relevantes dentro do CNJ. Cabe ao corregedor receber reclamações e denúncias contra magistrados, tribunais, serviços judiciários, cartórios e órgãos ligados à prestação de serviços notariais e de registro.

O cargo também tem atribuição para propor sindicâncias, inspeções, correições e processos disciplinares, quando houver indícios de irregularidades. Por isso, a escolha do corregedor nacional costuma mobilizar interesses políticos, jurídicos e institucionais.

No caso de Benedito Gonçalves, a disputa ultrapassa o currículo técnico. O que está em jogo é também a relação entre Senado, Judiciário, governo e oposição em um momento de forte tensão institucional.

Adiamento dá tempo para articulação

A decisão de Alcolumbre abre espaço para novas negociações. Aliados da indicação devem trabalhar para ampliar presença no plenário e reduzir risco de derrota. Já a oposição tende a usar o adiamento para manter pressão política sobre o nome de Benedito.

O episódio também reforça o papel estratégico de Alcolumbre na condução da pauta do Senado. Ao cancelar a votação, o presidente da Casa evitou uma decisão em ambiente incerto, mas também deixou evidente que a indicação ainda não está pacificada.

A próxima votação deve funcionar como novo teste de força. Se o nome for aprovado, Benedito Gonçalves assumirá a Corregedoria Nacional de Justiça no biênio 2026-2028. Se enfrentar resistência maior, o caso pode se transformar em nova queda de braço entre Senado e setores do Judiciário.

Por enquanto, a indicação segue em aberto. O adiamento mantém o tema no centro da agenda política de Brasília e confirma que, em votações sensíveis, número no painel nem sempre é apenas questão administrativa: é leitura de poder.

Redação IO
Imagem: Gerada IA

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