
Relatório da OAB aponta 37 mortes violentas de pessoas idosas em 2025; quase 80% dos crimes ocorreram fora de Maceió
Alagoas fechou 2025 com um dado que deveria provocar indignação pública, cobrança institucional e uma resposta urgente do Estado: 37 pessoas idosas foram assassinadas ao longo do ano.
O número é o maior desde o início do levantamento realizado pela OAB Alagoas, em 2021, e acende um alerta sobre uma violência que muitas vezes acontece longe dos grandes centros, longe das câmeras e longe da atenção da sociedade.
O dado mais grave está no mapa dos crimes. Dos 37 homicídios registrados, 29 ocorreram em municípios do interior. Maceió contabilizou oito casos. Na prática, quase 80% das mortes aconteceram fora da capital, em cidades, povoados, sítios e comunidades onde a presença do poder público nem sempre chega com a mesma velocidade da violência.
A maioria das vítimas era homem. Foram 34 idosos assassinados e três idosas mortas de forma violenta. As armas de fogo aparecem como principal meio utilizado nos crimes, com 21 registros. Outros 14 casos envolveram armas brancas ou instrumentos contundentes, como facas, facões e enxadas. Também houve registro de espancamento e asfixia.
Mais do que uma estatística, o levantamento revela uma ferida social. Pessoas que deveriam estar protegidas pela família, pela comunidade e pelo Estado estão sendo mortas de forma brutal. Em muitos casos, são idosos que vivem em áreas mais afastadas, em situação de vulnerabilidade, com menor acesso a redes de proteção, segurança e acompanhamento social.
O alerta da OAB é direto: Alagoas precisa olhar com mais seriedade para a violência contra a pessoa idosa. Nos últimos cinco anos, o estado registrou 167 homicídios contra esse público. O número mostra que o problema não é isolado, nem pode ser tratado como episódio ocasional. Existe uma repetição perigosa, especialmente no interior.
A situação expõe uma pergunta incômoda: quem está protegendo os idosos que vivem nos povoados, nos sítios e nas regiões mais distantes dos centros urbanos?
A violência contra a pessoa idosa não se resume aos assassinatos. Ela também aparece no abandono, nas ameaças, nos maus-tratos, nos golpes, na exploração financeira, na negligência familiar e na ausência de políticas públicas capazes de identificar riscos antes que eles se transformem em tragédia.
Mas quando essa violência chega ao homicídio, o fracasso é coletivo. Falhou a rede de proteção, falhou a prevenção, falhou o acompanhamento e, em muitos casos, falhou a presença efetiva do Estado.
O levantamento foi divulgado dentro das ações do Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. A iniciativa é importante, mas os números mostram que a discussão precisa ir além das campanhas. É necessário transformar alerta em política pública, relatório em investigação e estatística em resposta concreta.
O interior de Alagoas não pode continuar sendo tratado como território onde a violência contra idosos acontece em silêncio. Cada morte representa uma família destruída, uma história interrompida e uma pergunta que precisa ser respondida pelas autoridades.
Quantos desses crimes foram plenamente investigados? Quantos tiveram autoria identificada? Quantos chegaram à Justiça? Quantos poderiam ter sido evitados com uma rede de proteção mais presente?
A cobrança agora precisa ser objetiva. É necessário reforçar a segurança nas áreas rurais e comunidades afastadas, ampliar o acompanhamento social de idosos em situação de vulnerabilidade, fortalecer os canais de denúncia, integrar assistência social, saúde, Ministério Público, Defensoria, conselhos municipais e forças de segurança.
Alagoas não pode normalizar a morte violenta de quem já atravessou uma vida inteira. Envelhecer não pode significar viver com medo. E morar no interior não pode significar estar mais distante da proteção do Estado.
O recorde de idosos assassinados em 2025 é mais do que um dado preocupante. É um chamado à responsabilidade pública.
Redação IO
Imagem Ilustrativa







