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29 de julho de 2026

“Ele premeditou tudo”, afirma irmão de professora durante júri em Viçosa

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José Ricardo dos Santos nega ter cometido o crime; Ministério Público sustenta acusação de homicídio qualificado e feminicídio ocorrido em 2018

O irmão da professora Cenira Angélica Ventura da Silva afirmou, durante julgamento realizado nesta quarta-feira (29), que acredita que a morte da educadora teria sido planejada pelo réu José Ricardo dos Santos.

Alexandre Henrique Ventura foi a primeira testemunha ouvida pelo Conselho de Sentença no Fórum Desembargador Oscar Tenório, em Viçosa, na Zona da Mata de Alagoas. A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Gustavo Arns, do Ministério Público de Alagoas.

Durante o depoimento, Alexandre falou sobre a personalidade da irmã e descreveu Cenira Angélica como uma pessoa querida, solidária e sempre disposta a ajudar quem convivia com ela.

Ao abordar o relacionamento da professora com José Ricardo, ele afirmou que tomou conhecimento da relação por meio da mãe. Segundo o relato apresentado aos jurados, a família considerava o comportamento do acusado possessivo.

Alexandre também recordou os acontecimentos do dia 2 de março de 2018. Conforme o depoimento, a professora havia saído mais cedo da escola e permaneceu por algum tempo em uma praça com amigas.

José Ricardo teria aparecido no local, e os dois seguiram juntos para a residência da educadora. Vizinhos teriam ouvido uma discussão e gritos pouco antes do crime.

“Ele premeditou tudo”, declarou o irmão durante o julgamento. A frase representa a avaliação apresentada pela testemunha aos jurados e será analisada juntamente com as demais provas e depoimentos do processo.

Irmão relata impacto ao chegar ao local

Alexandre contou que, ao chegar ao local do crime, foi informado por moradores de que José Ricardo teria deixado a região em alta velocidade em uma motocicleta.

Questionado sobre o momento em que viu a irmã, o familiar relatou que teve dificuldade para assimilar a cena em razão do choque emocional.

O depoimento integra o conjunto de provas apresentadas pela acusação. Os jurados também deverão considerar as alegações da defesa, o interrogatório do réu e os demais elementos reunidos durante a investigação.

Réu nega autoria durante interrogatório

José Ricardo dos Santos participou do julgamento por videoconferência e negou ter matado a professora.

Em sua versão, o acusado afirmou que estava na residência com Cenira Angélica quando ela recebeu uma ligação telefônica. Segundo ele, a professora teria pedido à pessoa que estava do outro lado da linha que não fosse ao imóvel naquele momento.

José Ricardo declarou que perguntou com quem ela falava, mas não recebeu explicações. Disse que ficou irritado e decidiu deixar a residência.

Durante o interrogatório, surgiram divergências nas respostas apresentadas pelo acusado sobre o momento em que teria saído do imóvel. Inicialmente, ele afirmou que a professora estava no banho, mas depois demonstrou dúvida ao voltar a ser questionado sobre a sequência dos acontecimentos.

O réu também declarou que deixou Viçosa após ser informado por um primo de que estava sendo apontado como responsável pela morte.

Professora tentou fugir, sustenta a acusação

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Cenira Angélica começou a ser atacada dentro de sua residência.

A professora teria conseguido sair do imóvel na tentativa de buscar ajuda, mas foi alcançada na rua e atingida por 37 golpes de faca. Ela tinha 39 anos.

José Ricardo responde por homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de recurso que teria dificultado ou impedido a defesa da vítima e feminicídio, por o crime ter ocorrido em contexto de violência doméstica e familiar.

As acusações representam a tese sustentada pelo Ministério Público. Caberá aos jurados decidir se o réu praticou o crime e se as qualificadoras apresentadas pela acusação devem ser reconhecidas.

Acusado permaneceu foragido por mais de cinco anos

Após o crime, ocorrido em março de 2018, José Ricardo deixou Alagoas e permaneceu foragido por mais de cinco anos.

Ele foi localizado e preso em dezembro de 2023, no estado de Mato Grosso, onde continuou custodiado. Por estar recolhido fora de Alagoas, sua participação no julgamento ocorreu por videoconferência.

A morte da professora provocou comoção em Viçosa e mobilizou familiares, amigos, estudantes e entidades ligadas à educação.

Na época, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas promoveu atos e cobrou esclarecimentos e responsabilização pelo assassinato. A entidade também utilizou o caso para chamar atenção para a necessidade de combate à violência contra as mulheres.

Julgamento segue em Viçosa

Depois da apresentação dos depoimentos, o Ministério Público e a defesa realizam os debates perante o Conselho de Sentença.

Sete jurados são responsáveis por responder aos quesitos apresentados pelo juiz e decidir se José Ricardo dos Santos será condenado ou absolvido.

Até o fechamento desta matéria, o resultado do julgamento ainda não havia sido divulgado oficialmente. O conteúdo deverá ser atualizado após a publicação do veredicto e da eventual pena definida pela Justiça.

Redação IO
Imagem: Reprodução

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