
Decisão anunciada por Alfredo Gaspar reorganiza o cenário eleitoral; eventual aproximação com o grupo de JHC ainda não foi formalizada
O Partido Liberal não deverá lançar candidatura própria ao Governo de Alagoas nas eleições de 2026. A decisão foi anunciada pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça, e altera as articulações para a sucessão no Palácio República dos Palmares.
Segundo Alfredo Gaspar, não houve tempo suficiente nem construção política interna para preparar um nome competitivo para a disputa estadual. O professor Henrique Costa, vice-reitor licenciado da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), chegou a ser cogitado, mas deverá disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Com a retirada do PL da corrida pelo governo, aumentam as expectativas sobre o posicionamento que o partido adotará na disputa majoritária. A legenda mantém as negociações abertas, mas ainda não anunciou apoio formal a qualquer pré-candidatura.
Nos últimos meses, Alfredo Gaspar defendeu a construção de uma frente mais ampla de oposição. Em declaração divulgada no dia 24 de julho, afirmou que a união da oposição continuava sendo o melhor caminho e que o cenário poderia ser reavaliado caso não houvesse entendimento entre os grupos envolvidos.
JHC é apresentado pelo PSDB como pré-candidato
O ex-prefeito de Maceió JHC deixou o PL e assumiu o comando estadual do PSDB em meio às articulações para disputar o Governo de Alagoas. Em junho, o PSDB nacional incluiu o nome do político em uma publicação com os pré-candidatos da legenda aos governos estaduais.
A possível aproximação entre o PL e o grupo de JHC ganhou força após a direção liberal desistir das ações judiciais que pediam os mandatos de Chico Filho, Cal Moreira e Eduardo Canuto. Os três vereadores deixaram o PL e migraram para o PSDB.
Os pedidos de desistência foram protocolados na Justiça Eleitoral em julho. A medida afastou, por iniciativa do próprio partido, a tentativa de recuperar as cadeiras ocupadas pelos parlamentares.
Politicamente, o movimento foi interpretado como um gesto de distensão entre os dois grupos. No entanto, a retirada das ações não representa, por si só, a confirmação de uma aliança eleitoral entre o PL e o PSDB.
Definição sobre apoio permanece aberta
A tendência é que o PL aguarde o avanço das conversas antes de anunciar seu posicionamento na disputa pelo governo. Um eventual acordo poderá envolver não apenas JHC e Alfredo Gaspar, mas também outras lideranças e partidos que atuam no campo da oposição estadual.
Entre os pontos que poderão influenciar uma composição está a escolha do candidato a vice-governador. A formação da chapa também interfere na participação de outras forças políticas e na divisão do espaço destinado às legendas durante a propaganda eleitoral.
A eventual convergência entre o PL, o grupo de JHC e partidos aliados poderia ampliar o tempo de rádio e televisão da coligação. Por enquanto, entretanto, esse cenário permanece no campo das negociações.
Disputa terá outras candidaturas
Apesar da tendência de concentração da disputa entre os principais grupos políticos de Alagoas, outras candidaturas estão sendo apresentadas.
A Unidade Popular oficializou, durante convenção realizada no dia 21 de julho, a candidatura da jornalista Lenilda Luna ao Governo de Alagoas. O psicólogo Jardel Queiroz foi confirmado como candidato a vice-governador. A legenda também lançou Alexandre Fleming para o Senado.
As articulações ainda poderão sofrer alterações. Conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, partidos e federações têm até 5 de agosto de 2026 para realizar convenções, deliberar sobre coligações e escolher candidatos.
Até lá, o PL deverá continuar negociando seu espaço na eleição estadual. A confirmação de que não lançará um nome próprio reduz as alternativas no campo da oposição, mas não define automaticamente qual candidatura receberá o apoio da legenda.
Redação IO
Imagem: Reprodução








