
Levantamento monitorou oito pontos durante 48 horas e identificou a Avenida Rota do Mar como principal alimentadora do corredor; propostas ainda serão avaliadas pelo DMTT
O congestionamento enfrentado diariamente no Litoral Norte de Maceió não é provocado apenas pelo crescimento imobiliário da região. Um estudo técnico entregue à Prefeitura aponta que grande parte dos veículos que ocupa o eixo da Avenida Comendador Gustavo Paiva e da AL-101 Norte chega por vias que conectam a parte alta da capital aos bairros de Jacarecica, Cruz das Almas e Mangabeiras.
O levantamento foi elaborado pelos consultores Roberta Rosas e Múcio Pina, a partir de uma parceria entre entidades ligadas à indústria, à construção civil, ao mercado imobiliário, à engenharia e à corretagem de imóveis. O estudo foi apresentado ao prefeito Rodrigo Cunha e ao diretor-presidente do Departamento Municipal de Transportes e Trânsito, André Costa.
Durante 48 horas, equipes realizaram contagens volumétricas em oito pontos estratégicos para descobrir de onde vêm os veículos, quais cruzamentos concentram maior movimento e onde estão os principais gargalos da malha viária.
Rota do Mar concentra maior volume
No horário de pico da manhã, entre 6h45 e 7h45, a Avenida Rota do Mar apareceu como a principal alimentadora do corredor, levando 1.109 veículos em direção à Avenida Gustavo Paiva.
A Ladeira do Óleo veio em seguida, com 745 veículos. Outros 435 chegaram pela Avenida Josefa de Melo, 420 pela Avenida José Ribeiro Toledo, 215 pelo cruzamento conhecido como Ladeira do PC e 169 pela Avenida Pierre Chalita.
De acordo com o diagnóstico, cerca de 70 viagens registradas nesse intervalo tiveram origem nos empreendimentos já instalados no próprio Litoral Norte. A conclusão apresentada é que a maior pressão sobre a via vem dos deslocamentos diários realizados entre a parte alta, a orla e outras áreas da cidade.
O problema, entretanto, não está relacionado apenas à quantidade de automóveis. O estudo também identificou cruzamentos sobrecarregados, estreitamentos nas pistas, conversões inadequadas, necessidade de ajustes nos semáforos e escassez de rotas alternativas.
Quarta faixa na Avenida Gustavo Paiva
Uma das principais propostas é o alargamento de aproximadamente dois metros da Avenida Gustavo Paiva, no trecho entre o Parque Shopping Maceió e o supermercado G. Barbosa.
A mudança permitiria a implantação de uma quarta faixa de rolamento. O projeto também prevê uma passarela para pedestres em frente ao shopping e a ampliação do raio de curva na conversão realizada por motoristas que saem da Avenida José Ribeiro Toledo e entram na Gustavo Paiva.
No encontro da Gustavo Paiva com a Avenida João Davino, a proposta contempla o redimensionamento da ilha que separa os fluxos e a instalação de um novo semáforo. A intervenção busca facilitar o acesso à Rua Desembargador Valente de Lima e reduzir conflitos entre os veículos.
Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes pode ganhar terceira faixa
Outro ponto considerado estratégico é a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes. O estudo propõe um alargamento de cerca de 80 centímetros ao longo da via para permitir a criação de uma terceira faixa de rolamento.
A ponte existente sobre o canal também precisaria ser ampliada. Além disso, estão previstas três baias exclusivas para ônibus, evitando que os coletivos interrompam uma das faixas durante o embarque e o desembarque de passageiros.
Na Avenida Roberto Mascarenhas de Brito, a sugestão é aumentar o raio da conversão à direita para os veículos que chegam pela João Davino.
O estudo também apresenta a implantação de um sistema binário, com vias paralelas operando em sentidos diferentes. Simulações digitais incluídas no levantamento indicam que a medida poderia melhorar a fluidez nos dois sentidos do corredor.
Expansão imobiliária foi projetada para os próximos 39 anos
O levantamento também analisou os possíveis efeitos da expansão imobiliária. O potencial construtivo estimado para a região é de 9.303 unidades habitacionais, com uma média projetada de 240 novas unidades por ano durante um horizonte de aproximadamente 39 anos.
Pelos parâmetros utilizados, esse crescimento acrescentaria anualmente cerca de 79 viagens no horário de pico, representando impacto estimado de 2,72% sobre o fluxo considerado pelo estudo. A projeção é gradual e depende da efetiva construção e ocupação dos empreendimentos ao longo das próximas décadas.
Propostas ainda passarão por avaliação
A Prefeitura informou que o levantamento será incorporado às análises já realizadas pelo DMTT. As discussões devem continuar para verificar quais intervenções são tecnicamente viáveis e podem ser aproveitadas pelo Município.
Apesar da apresentação das alternativas, ainda não foram divulgados cronograma, orçamento ou definição sobre quais obras poderão ser executadas primeiro.
Como o estudo foi produzido com a participação de entidades ligadas ao setor imobiliário e à construção civil, as conclusões e projeções ainda precisam passar pela avaliação independente dos técnicos municipais antes de qualquer alteração definitiva no trânsito.
A análise, no entanto, reforça um problema sentido diariamente pelos motoristas: o Litoral Norte recebe um volume crescente de veículos, enquanto sua estrutura viária continua concentrando deslocamentos em poucos corredores e cruzamentos.
Redação IO
Imagem: Secom Maceió








