
Estado contabiliza 1.298 registros e duas mortes pela doença até 17 de julho; dengue também apresenta crescimento e casos de zika mais que triplicam
Alagoas enfrenta um avanço preocupante das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde apontam crescimento nos registros de chikungunya, dengue e zika entre 1º de janeiro e 17 de julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O cenário mais grave envolve a chikungunya. O número de casos passou de 517, em 2025, para 1.298 neste ano, um aumento de 151,1%. O balanço estadual também registra duas mortes confirmadas pela doença em 2026. No mesmo intervalo do ano anterior, não havia óbitos contabilizados.
A elevação chama atenção não apenas pelo crescimento das notificações, mas também pelas consequências da infecção. A chikungunya provoca febre e dores intensas nas articulações e pode evoluir para uma fase crônica, com sintomas persistindo por meses ou até anos. Manifestações neurológicas, cardíacas e respiratórias também podem ocorrer nos quadros mais graves.
Dengue supera 3,3 mil casos
A dengue também apresentou crescimento em Alagoas. Os casos prováveis passaram de 2.863 para 3.323, uma alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Além do aumento das notificações, duas mortes pela doença foram confirmadas no estado. Embora o percentual de crescimento seja menor que o observado na chikungunya, a dengue continua concentrando o maior volume de casos entre as três arboviroses analisadas.
Os sinais mais comuns da dengue incluem febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, fraqueza, náusea, dores no corpo e manchas vermelhas. Dor abdominal intensa, vômitos frequentes, tontura, dificuldade para respirar e sangramentos são sinais de alerta e exigem atendimento médico imediato.
Casos de zika mais que triplicam
A zika registrou o maior crescimento percentual, passando de 12 para 41 casos, avanço de 241,7%. Apesar do percentual elevado, é necessário considerar que a comparação parte de uma quantidade pequena de registros.
Não houve mortes por zika nos períodos analisados. Ainda assim, a circulação do vírus exige atenção, especialmente entre gestantes, porque a infecção pode provocar complicações neurológicas e malformações congênitas no feto.
Números ainda podem mudar
Os registros de arboviroses são alimentados a partir das notificações realizadas pelos municípios e podem sofrer alterações após investigações epidemiológicas, confirmações laboratoriais ou descarte de casos suspeitos.
Os informes oficiais da Sesau utilizam informações do Sinan Online e do Sinan Net e destacam que os dados são preliminares. Por isso, os números apresentados até 17 de julho representam o cenário disponível no momento da tabulação, mas ainda podem ser revisados.
A Secretaria de Estado da Saúde mantém ações de orientação, assistência técnica e capacitação de profissionais nos 102 municípios alagoanos. O trabalho envolve equipes de vigilância, agentes de combate às endemias e profissionais responsáveis pelo atendimento e manejo clínico dos pacientes.
Combate depende também da população
A principal forma de prevenção continua sendo a eliminação dos locais onde o mosquito se reproduz. Recipientes que acumulam água, caixas-d’água abertas, calhas obstruídas, pneus, vasos de plantas, garrafas e materiais abandonados podem se transformar em criadouros.
A população deve verificar regularmente quintais e áreas internas das residências, manter reservatórios bem fechados e procurar uma unidade de saúde ao apresentar febre, manchas pelo corpo, dores intensas nas articulações ou outros sintomas compatíveis com as arboviroses.
Diante do avanço registrado em 2026, a orientação é não esperar o agravamento do quadro e evitar a automedicação. Dengue, chikungunya e zika apresentam sintomas semelhantes, mas exigem avaliação e acompanhamento adequados.
Redação IO
Imagens: Carla Cleto
Imagem Destaque: Ilustrativa








