
Estado registrou mais de 15 mil acidentes em 2025 e já soma milhares de casos em 2026; crianças, idosos e pessoas com comorbidades exigem atenção redobrada
Alagoas aparece no centro de um alerta nacional de saúde pública: o estado é o que apresenta a maior incidência proporcional de picadas de escorpião no Brasil. O dado chama atenção não apenas pelo volume de ocorrências, mas pela velocidade com que esse tipo de acidente vem crescendo no país e pela presença cada vez mais comum desses animais em áreas urbanas, inclusive dentro das residências.
Segundo levantamento citado por estudos científicos e órgãos de saúde, o Brasil registrou um crescimento expressivo nos acidentes com escorpiões nos últimos anos. Entre 2012 e 2024, foram mais de 1,7 milhão de casos e mais de 1,2 mil mortes em todo o país. No mesmo período, a taxa nacional de incidência saltou de 31,8 para 142,82 casos por 100 mil habitantes, um aumento de 349%.
Em Alagoas, o cenário é ainda mais preocupante. O estado registrou 15.176 acidentes com escorpiões em 2025. Em 2026, somente entre 1º de janeiro e 29 de abril, já haviam sido contabilizados 3.624 casos, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde.
O problema deixou de ser restrito a áreas rurais. A urbanização desordenada, o acúmulo de lixo e entulhos, falhas de saneamento, presença de baratas e ambientes com frestas, ralos e materiais acumulados ajudam a criar condições ideais para a proliferação dos escorpiões. Eles podem se esconder em quintais, jardins, armários, roupas deixadas no chão, sapatos, entulhos, caixas, materiais de construção e redes de esgoto.
O escorpião-do-nordeste, comum na região, é apontado como um dos fatores que ajudam a explicar o impacto proporcional em Alagoas. Já no cenário nacional, o escorpião-amarelo é considerado uma das espécies de maior preocupação pela facilidade de adaptação ao ambiente urbano e pela capacidade de reprodução rápida.
Embora muitos acidentes sejam considerados leves, a orientação das autoridades de saúde é clara: toda picada deve ser tratada com seriedade. A dor costuma aparecer rapidamente e pode vir acompanhada de vermelhidão, formigamento e suor no local. Em casos mais graves, principalmente em crianças, podem surgir náuseas, vômitos, salivação, agitação, alterações na pressão arterial, arritmia, dificuldade respiratória e choque.
Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis porque o veneno pode agir de forma mais intensa devido ao menor peso corporal. Idosos e pessoas com comorbidades também exigem atenção especial. A demora no atendimento aumenta o risco de agravamento, por isso a recomendação é procurar uma unidade de saúde imediatamente após a picada.
A Sesau orienta que, como primeiros socorros, a pessoa lave o local com água e sabão, aplique compressa morna e procure atendimento médico o mais rápido possível. Não se deve colocar gelo, fazer torniquete, tentar sugar o veneno, passar álcool, querosene, fumo, pó de café ou ingerir bebida alcoólica.
A prevenção ainda é a principal forma de reduzir os acidentes. Entre as medidas recomendadas estão manter quintais e áreas externas limpas, evitar acúmulo de lixo, folhas secas e entulhos, vedar buracos, frestas e ralos, instalar telas em ralos, pias e tanques, afastar camas e berços das paredes, evitar que roupas de cama encostem no chão, sacudir roupas e calçados antes de usar e utilizar luvas ao manusear materiais guardados ou de construção.
O alerta vale para todo o estado, especialmente em períodos de calor e umidade, quando a incidência tende a aumentar. Mais do que medo, os números exigem informação, vigilância e resposta rápida. Em Alagoas, a picada de escorpião deixou de ser um acidente doméstico isolado e passou a ser um desafio permanente para a saúde pública.
Redação IO
Imagem Ilustrativa







