
Mesmo sob intervenção judicial, hospital enfrenta instabilidade financeira e pendências trabalhistas; Justiça já determinou bloqueio de R$ 4,6 milhões das contas do Estado
Trabalhadores do Hospital Veredas, em Maceió, continuam enfrentando atrasos salariais e pendências trabalhistas, apesar da intervenção judicial instalada para reorganizar financeira e administrativamente uma das principais unidades hospitalares de Alagoas.
Relatos de profissionais da unidade recebidos pela reportagem confirmam que a situação financeira dos funcionários ainda não foi completamente regularizada. A falta de previsibilidade atinge trabalhadores que dependem dos salários para manter despesas básicas, como alimentação, transporte, aluguel e pagamento de dívidas acumuladas durante a crise.
O problema também está documentado pelo Ministério Público Federal. Em reunião realizada no dia 3 de agosto, representantes dos trabalhadores informaram ao MPF que, embora tenham ocorrido avanços nos pagamentos, ainda existem valores pendentes.
Entre as obrigações oficialmente mencionadas estão complementações do piso nacional da enfermagem referentes a determinados períodos e uma gratificação prevista em acordo firmado perante a Justiça do Trabalho.
Diante da permanência das pendências, os profissionais decidiram manter o estado de greve.
Atendimento essencial continua funcionando
Mesmo mobilizados, os trabalhadores permanecem atuando em escala emergencial para evitar a interrupção completa dos serviços. De acordo com o Ministério Público Federal, o Hospital Veredas continua realizando atendimentos de urgência e emergência e mantém leitos em funcionamento.
A decisão dos profissionais busca preservar a assistência aos pacientes, mas também evidencia a gravidade de uma crise que atinge diretamente aqueles que sustentam o funcionamento diário da unidade.
Representantes dos trabalhadores relataram ainda que a instabilidade no fluxo de recursos dificulta não apenas o pagamento dos funcionários, mas também a compra de medicamentos, materiais e insumos indispensáveis aos atendimentos.
Justiça bloqueou R$ 4,6 milhões do Estado
A crise financeira provocou uma nova intervenção da Justiça Federal em julho. No dia 17, a 13ª Vara Federal determinou o bloqueio imediato de R$ 4.659.834,95 das contas do Estado de Alagoas. O dinheiro deveria ser transferido, por meio do Sisbajud, para uma conta judicial destinada ao Hospital Veredas.
A medida foi adotada depois que o Estado deixou de cumprir o prazo concedido para depositar valores devidos à unidade. A decisão foi confirmada oficialmente pela Justiça Federal em Alagoas e pelo MPF.
Inicialmente, o débito apresentado no processo superava R$ 7,6 milhões. Depois de um pagamento parcial e da atualização dos valores, restaram aproximadamente R$ 4,6 milhões. Como o saldo não foi depositado no prazo determinado, a Justiça autorizou o bloqueio.
A ordem judicial teve como objetivo garantir a continuidade dos serviços, o pagamento dos trabalhadores e a aquisição dos insumos necessários ao funcionamento do hospital.
Intervenção é prorrogada por mais um ano
A intervenção no Hospital Veredas foi iniciada no âmbito de uma ação civil pública proposta pelo MPF e pela Defensoria Pública da União. O processo resultou em um Termo de Ajustamento de Conduta também firmado com o Ministério Público de Alagoas e a fundação responsável pelo hospital.
O acordo estabeleceu a contratação de uma gestão especializada, a elaboração de um plano de reestruturação e a realização de auditorias para acompanhar a aplicação dos recursos públicos. Durante a reunião mais recente, foi comunicada a prorrogação da intervenção judicial por mais um ano.
A extensão demonstra que o processo de recuperação ainda não foi concluído. Apesar de avanços reconhecidos pelos próprios trabalhadores, a repetição dos atrasos, a instabilidade dos repasses e a necessidade de bloqueios judiciais mostram que o hospital continua distante da normalidade financeira.
Trabalhadores aguardam solução definitiva
O MPF informou que continuará acompanhando o cronograma de pagamentos, a regularização dos repasses públicos e os relatórios de auditoria encaminhados pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS. Uma nova reunião com os representantes sindicais está prevista para setembro.
Até o fechamento desta matéria, não havia detalhamento público atualizado sobre todas as competências salariais ainda pendentes, os valores individuais devidos aos funcionários ou a destinação integral dos recursos bloqueados judicialmente.
Enquanto uma solução definitiva não chega, profissionais continuam trabalhando em serviços essenciais e, ao mesmo tempo, lutando para receber salários e direitos resultantes do trabalho já realizado.
Redação IO
Imagem: Reprodução








