
Atual vice-governador abriu mão do projeto para o Senado, rompeu com o grupo governista e foi indicado pelo PDT para acompanhar JHC, mas acabou acomodado na suplência de Marina JHC.
Ronaldo Lessa iniciou 2026 como pré-candidato ao Senado, rompeu com o grupo político do governador Paulo Dantas, aproximou-se de JHC e chegou a ser oficialmente indicado pelo PDT para disputar novamente a vice-governadoria.
No desenho definitivo da chapa, entretanto, o atual vice-governador de Alagoas não será candidato titular a nenhum cargo.
Lessa foi colocado como segundo suplente de Marina JHC, candidata do PSDB ao Senado. A primeira suplência será ocupada pela atual senadora Dra. Eudócia Caldas, mãe de JHC.
A composição representa uma das maiores reviravoltas do último dia para o registro das candidaturas em Alagoas e transforma um dos políticos mais experientes do estado em coadjuvante da chapa que ajudou a construir.
Do projeto para o Senado à aliança com JHC
No início de abril, Ronaldo Lessa confirmou que pretendia disputar uma das duas vagas de Alagoas no Senado. O projeto tinha o apoio do PDT e colocaria o ex-governador em uma disputa direta com nomes como Renan Calheiros, Arthur Lira e Davi Davino Filho.
O cenário mudou com sua aproximação de JHC.
Lessa se afastou do grupo do governador Paulo Dantas e passou a participar da construção da frente de oposição. Após o anúncio da nova aliança, 63 cargos ligados ao vice-governador foram atingidos por exonerações publicadas no Diário Oficial do Estado.
A mudança teve, portanto, um custo político concreto. Lessa deixou a base da administração da qual ainda é vice-governador e abandonou o projeto de candidatura própria ao Senado para integrar a composição liderada por JHC.
PDT chegou a aprovar Lessa como vice
A indicação para vice-governador não ficou apenas no campo das especulações.
Na convenção realizada em 5 de agosto, o PDT aprovou o nome de Ronaldo Lessa para ocupar a vice na chapa encabeçada por JHC. A decisão foi registrada na ata partidária e apresentada à Justiça Eleitoral.
O problema é que documentos de outros partidos envolvidos na coligação indicavam uma divisão diferente dos espaços. Enquanto o PDT afirmava ter a responsabilidade de indicar o vice, atas da Federação União Progressista e do PL reservavam a posição para outra negociação.
A convenção do PDT demonstrava a decisão política do partido, mas não garantia que Lessa apareceria no registro definitivo da coligação.
Célia Rocha muda o tabuleiro
A disputa pela vice ganhou novo rumo com a movimentação de Célia Rocha.
Inicialmente indicada para ocupar a segunda suplência de Arthur Lira na corrida ao Senado, a ex-prefeita de Arapiraca deixou claro que somente aceitaria participar diretamente da chapa majoritária como candidata a vice-governadora.
No último dia para os registros, JHC confirmou que disputaria o Governo de Alagoas e escolheu Célia para acompanhá-lo. A decisão fortaleceu a presença da chapa no Agreste, região considerada estratégica para um candidato cuja principal base eleitoral está em Maceió.
Com a definição, Lessa perdeu o espaço aprovado pelo PDT. Célia deixou a suplência de Arthur Lira, que passou para Gustavo Feijó, enquanto o vice-governador foi transferido para a segunda suplência de Marina JHC.
Efeito dominó na chapa de JHC
As últimas horas antes do encerramento do prazo produziram uma reorganização completa no grupo.
JHC chegou a avaliar a possibilidade de disputar o Senado, mas voltou ao projeto de candidatura ao Governo de Alagoas. Célia Rocha assumiu a vice. Arthur Lira manteve sua candidatura ao Senado, e Marina Cândia, que inicialmente era cotada para a Câmara dos Deputados, passou a ocupar a segunda vaga senatorial da coligação.
Marina disputará com o nome de urna Marina JHC e o número 456. A chapa terá Dra. Eudócia como primeira suplente e Ronaldo Lessa como segundo.
No centro desse efeito dominó, Lessa foi o personagem que perdeu a condição de candidato titular.
O que significa ser segundo suplente
Embora integre formalmente uma candidatura ao Senado, Ronaldo Lessa não receberá votos diretamente.
O eleitor votará em Marina JHC. Caso ela seja eleita e posteriormente precise deixar o mandato, a primeira pessoa convocada será Dra. Eudócia. O segundo suplente somente entra na linha de substituição se o titular e o primeiro suplente não puderem exercer o cargo.
A posição mantém Lessa dentro da chapa, mas é politicamente diferente de uma candidatura própria ao Senado ou à vice-governadoria.
Ele não terá número individual, campanha pessoal ou votação que possa ser atribuída diretamente ao seu nome.
Uma aposta política de alto custo
A trajetória de Lessa torna a reviravolta ainda mais significativa. Ele já foi prefeito de Maceió, governador de Alagoas por dois mandatos, deputado federal, vice-prefeito da capital e atualmente exerce a vice-governadoria.
Depois de abrir mão da corrida ao Senado e romper com o grupo governista, sua expectativa era permanecer no segundo cargo mais importante do Executivo estadual em uma eventual vitória de JHC.
A indicação do PDT, porém, não resistiu à negociação final entre os partidos da coligação. Sem a vice e sem retornar à corrida pelo Senado, Lessa terminou na posição de segundo suplente de uma candidata que fará sua primeira disputa eleitoral.
O PDT também não formou nominatas próprias para deputado estadual ou federal em Alagoas, reduzindo as alternativas para uma candidatura proporcional do vice-governador.
Anúncio político não é registro definitivo
O caso deixa uma lição sobre a formação das chapas: convenções, declarações públicas e acordos partidários podem ser modificados até a apresentação dos registros à Justiça Eleitoral.
Não existem elementos públicos suficientes para afirmar se JHC descumpriu uma promessa pessoal feita a Ronaldo Lessa. O que está documentado é que o PDT indicou Lessa para vice, o político anunciou que ocuparia a posição e o registro definitivo colocou Célia Rocha em seu lugar.
Lessa continuará no palanque de JHC e participará da chapa de Marina, mas chegará às urnas sem uma candidatura titular.
Para um político que começou o ano planejando disputar o Senado e depois foi anunciado como candidato a vice-governador, terminar como segundo suplente revela o tamanho da mudança ocorrida no tabuleiro eleitoral alagoano.
Redação IO
Imagem: Reprodução JHC








