
Josefa Cícera afirma que disparo ocorreu cerca de 35 minutos após suposta “roleta-russa”; acusação aponta contradições e diz que provas técnicas enfraquecem a versão
A ré Josefa Cícera Nunes Flores apresentou nesta quinta-feira, 6 de agosto, um novo relato sobre as circunstâncias da morte do sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, de 53 anos. O depoimento ocorreu durante o julgamento realizado no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro, em Maceió.
Josefa reconhece ter efetuado o disparo que atingiu o companheiro, mas sustenta que agiu em legítima defesa. O Ministério Público de Alagoas contesta essa versão e pede sua condenação por homicídio qualificado por motivo fútil.
Durante o interrogatório, a ré afirmou que a suposta brincadeira de “roleta-russa” e o disparo não aconteceram no mesmo momento. Segundo o relato apresentado ao Conselho de Sentença, uma nova discussão teria começado aproximadamente 35 minutos depois, quando ela teria atirado para se defender.
A declaração difere dos relatos atribuídos a Josefa durante a investigação. Na versão anterior, a discussão, a recusa em participar da suposta brincadeira e uma luta corporal teriam ocorrido em sequência, terminando com o disparo da arma.
Discussão teria começado após episódio de ciúmes
Em seu depoimento no plenário, Josefa afirmou que ela e Alessandro haviam ingerido bebidas alcoólicas em um bar antes do crime.
Segundo a ré, o sargento teria demonstrado ciúmes depois que um homem, cuja identidade ela disse desconhecer, apertou sua mão. O casal teria discutido durante o caminho de volta à residência onde morava, no bairro Cidade Universitária.
Josefa declarou que dirigiu o veículo e, ao chegar ao condomínio, permaneceu dentro do carro enquanto Alessandro entrou na casa. Ela disse que adormeceu no automóvel e acordou quando o companheiro retornou para chamá-la.
A ré também mencionou a presença de um vigilante do condomínio. Questionada pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, afirmou que não conhecia o funcionário e não sabia informar seu nome.
Ministério Público aponta contradições
O Ministério Público destacou no julgamento as diferenças entre o relato apresentado no plenário e as versões registradas anteriormente.
Para a acusação, as provas técnicas reunidas durante a investigação não sustentam a tese de que o disparo ocorreu durante uma luta corporal.
Segundo o MPAL, a perícia indicou que o tiro foi efetuado a aproximadamente dois metros de distância. Na avaliação da acusação, esse dado enfraquece a alegação de confronto físico no momento em que a arma foi acionada.
O Ministério Público também questionou a referência à “roleta-russa”. A acusação ressaltou que a arma utilizada era uma pistola, cujo funcionamento é diferente do revólver tradicionalmente associado a esse tipo de prática.
Esses argumentos representam a tese apresentada pelo Ministério Público e ainda precisam ser confrontados com as explicações da defesa e avaliados pelos jurados.
Defesa sustenta legítima defesa
A defesa de Josefa Cícera sustenta que ela efetuou o disparo para proteger a própria integridade durante uma situação de conflito com o companheiro.
A ré reafirmou essa versão diante do Conselho de Sentença, embora tenha apresentado uma nova sequência temporal para os acontecimentos daquela noite.
O ponto central do julgamento é definir se Josefa agiu para se defender de uma agressão, como afirma, ou se praticou homicídio qualificado por motivo fútil, conforme sustenta o Ministério Público.
Crime ocorreu em março de 2022
Alessandro Fábio da Silva foi atingido por um disparo no abdômen em 23 de março de 2022, dentro da residência do casal, no condomínio Jardim das Violetas, no bairro Cidade Universitária.
O sargento chegou a ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento da região, mas não resistiu aos ferimentos.
Josefa foi denunciada pelo Ministério Público e passou a responder pelo crime de homicídio qualificado. Mais de quatro anos depois da morte, o caso chegou ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Jurados decidirão entre condenação e absolvição
Após os depoimentos, a acusação e a defesa apresentam suas argumentações aos sete integrantes do Conselho de Sentença.
Os jurados deverão decidir se reconhecem a tese do Ministério Público, se acolhem a legítima defesa apresentada pela ré ou se adotam outra conclusão juridicamente possível a partir das provas e dos debates realizados no plenário.
Até a atualização disponível no fim da tarde desta quinta-feira, o julgamento permanecia em andamento e ainda não havia divulgação oficial do veredicto.
A matéria deverá ser atualizada assim que a Justiça informar a decisão do Conselho de Sentença e a eventual pena estabelecida pelo magistrado responsável pela sessão.
Redação IO
Imagem: Reprodução








