
Retomada acontece enquanto permanece em andamento a investigação sobre suspeitas de fraudes em concursos públicos; delegado nega envolvimento
Atos administrativos publicados no Diário Oficial do Estado voltaram a apresentar a assinatura de Gustavo Xavier do Nascimento como delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas. Os registros aparecem desde o dia 13 de agosto e sinalizam, na prática, a retomada de suas atribuições no comando da corporação.
O delegado permaneceu afastado da função durante dois períodos determinados pela Justiça Federal. A retomada das atividades não encerra a investigação que apura a possível participação de Gustavo Xavier em um esquema de fraudes em concursos públicos. Também não representa arquivamento do processo ou conclusão definitiva sobre as suspeitas.
O delegado nega envolvimento nas irregularidades. Permanecem assegurados a ele a presunção de inocência, o contraditório e o direito à ampla defesa.
Afastamento começou em março
A Justiça Federal determinou o afastamento cautelar de Gustavo Xavier em 30 de março de 2026, inicialmente pelo prazo de 60 dias. A medida também atingiu o agente da Polícia Civil Eudson Oliveira de Matos.
Segundo o Ministério Público Federal, o afastamento foi solicitado para preservar a integridade das investigações e evitar possíveis interferências relacionadas ao exercício das funções públicas.
A decisão teve como fundamento o artigo 319, inciso VI, do Código de Processo Penal. O dispositivo permite o afastamento temporário de uma função pública quando a permanência no cargo pode comprometer uma investigação ou favorecer a prática de infrações.
Em junho, a 16ª Vara Federal da Paraíba prorrogou a medida por mais 60 dias. Durante o período, o delegado Thales Silva Araújo foi designado pelo Governo de Alagoas para responder temporariamente pelo comando da Polícia Civil.
Investigação alcança concursos de alta concorrência
A investigação federal apura a atuação de uma organização suspeita de fraudar concursos públicos realizados em diferentes estados.
As apurações incluem suspeitas relacionadas ao Concurso Nacional Unificado de 2024 e a seleções do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Polícia Federal e das forças de segurança de Alagoas.
Entre os métodos atribuídos ao grupo estão a obtenção antecipada de provas, o envio de questões para pessoas que estavam fora dos locais de aplicação e o repasse de respostas por equipamentos eletrônicos.
Essas práticas são apontadas pela investigação, mas as responsabilidades individuais ainda estão sendo apuradas.
O nome de Gustavo Xavier apareceu no caso a partir de declarações prestadas por colaboradores e de outros elementos analisados pela Polícia Federal. A apuração busca esclarecer se o delegado teria pressionado integrantes do grupo para favorecer pessoas próximas em concursos públicos.
Em uma decisão anterior, a Justiça Federal registrou que os elementos apresentados até aquele momento não eram suficientes para comprovar, com razoável grau de certeza, que Gustavo Xavier exercia o comando da organização investigada.
A possibilidade não foi descartada, mas o Judiciário reconheceu a necessidade de aprofundar as apurações. Um pedido de prisão preventiva contra o delegado não foi acolhido. Posteriormente, a Justiça considerou o afastamento temporário uma medida cautelar suficiente para proteger a investigação.
Novo concurso da PC-AL não integra a investigação
A retomada das atividades ocorre durante o período de inscrições para o novo concurso da Polícia Civil de Alagoas. Organizado pelo Cebraspe, o certame oferece 300 oportunidades para agentes e escrivães, incluindo vagas imediatas e formação de cadastro de reserva.
Não existe indicação, nas informações públicas disponíveis, de que o concurso aberto em 2026 faça parte da investigação ou esteja relacionado às suspeitas envolvendo Gustavo Xavier. A seleção atual, portanto, não deve ser confundida com os concursos mencionados no processo investigativo.
O principal fato desta atualização é de natureza institucional: Gustavo Xavier voltou a assinar atos como delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, mas a investigação que motivou seu afastamento permanece sem conclusão definitiva divulgada.
Até o fechamento desta reportagem, não havia divulgação oficial esclarecendo se o retorno ocorreu pelo encerramento do prazo da medida cautelar ou por uma nova decisão judicial.








