DÓLAR HOJE:
Euro Hoje
1 de junho de 2026

Angra dos Reis se junta a destinos turísticos que cobram taxa de visitação e reacende debate sobre turismo sustentável

Ouça este artigo

Compartilhe este artigo

Nova Taxa de Turismo Sustentável entrou em vigor com regras diferenciadas no primeiro ano, isenções para moradores e grupos específicos, e proposta de financiar preservação ambiental, infraestrutura e ordenamento turístico.

Angra dos Reis, um dos destinos mais conhecidos do litoral brasileiro, passou a cobrar a Taxa de Turismo Sustentável (TTS), medida criada para organizar o fluxo de visitantes, financiar ações de preservação ambiental e reforçar a infraestrutura turística do município.

A cobrança começou cercada de debates, principalmente por envolver um tema sensível: o custo de visitar destinos naturais cada vez mais pressionados pelo turismo de massa.

A nova taxa passou a valer em 1º de junho de 2026 e terá regras diferenciadas durante o período inicial de implantação. Pelo modelo atualizado, o visitante passa a pagar R$ 50 para acesso ao continente ou às ilhas, com validade integrada de 30 dias. Isso significa que, após a emissão da TTS, o turista poderá circular entre o continente e a Ilha Grande sem uma nova cobrança dentro desse prazo.

Para quem faz passeio de apenas um dia, o chamado day use, há condições específicas. No primeiro ano, visitantes que embarcarem saindo de Angra dos Reis pagarão R$ 28. Já quem fizer o passeio com saída por outro município pagará R$ 50 no primeiro ano. No caso de turistas que chegam às ilhas saindo de outra cidade, o valor será de R$ 50 quando houver comprovação de duas diárias em hospedagem regularizada em Angra. Sem essa comprovação, a cobrança será de R$ 100.

A implantação também prevê descontos graduais ao longo dos primeiros anos. Em 2026, a cobrança ocorre com desconto sobre o valor previsto originalmente; em 2027, o desconto será menor; e, a partir de 2028, a tarifa passa a ser cobrada de forma integral. Na prática, a fase inicial funciona como uma transição para adaptação de turistas, operadores e do próprio sistema municipal de controle.

Um ponto importante é que a cobrança não se aplica a todos. Moradores de Angra dos Reis, parentes de moradores até o segundo grau, prestadores de serviço cadastrados, crianças de até 12 anos, idosos a partir de 60 anos e pessoas com deficiência estão entre os grupos isentos. Para ter acesso ao benefício, moradores e trabalhadores devem realizar cadastro e emitir a carteirinha digital pelo sistema Viva Angra.

Também há regra de transição para turistas que já haviam comprado pacotes antes da implantação. Segundo a Prefeitura de Angra dos Reis, visitantes com pacotes adquiridos até 31 de dezembro de 2025, com embarques programados até 31 de julho de 2026, permanecem isentos da taxa.

A justificativa do município é que o crescimento do fluxo turístico exige novas formas de planejamento. A prefeitura afirma que os recursos arrecadados devem ser aplicados em áreas como saneamento, gestão de resíduos, conservação ambiental e infraestrutura, reduzindo impactos especialmente em períodos de alta temporada.

O sistema também deverá gerar dados sobre perfil dos visitantes, tempo de permanência e circulação turística, o que pode ajudar na tomada de decisões públicas.

O debate, no entanto, vai além de Angra dos Reis. Outros destinos brasileiros já adotam cobranças semelhantes para tentar equilibrar visitação, preservação e serviços públicos. Fernando de Noronha, Bombinhas, Ubatuba e Ilhabela estão entre os exemplos de locais que utilizam taxas de preservação, ambientais ou de turismo sustentável, cada uma com regras próprias.

A medida divide opiniões. Para defensores da cobrança, destinos com grande fluxo de turistas precisam de instrumentos capazes de financiar a manutenção do território, especialmente quando a população flutuante aumenta a pressão sobre trânsito, limpeza urbana, saneamento, segurança e áreas naturais. Para críticos, a taxa pode encarecer o passeio, gerar burocracia e exigir absoluta transparência sobre a aplicação dos recursos.

Por isso, o ponto central não é apenas a existência da cobrança, mas a forma como ela será administrada. Em destinos turísticos consolidados, a discussão precisa considerar equilíbrio: preservar sem afastar visitantes, arrecadar sem penalizar injustamente, organizar sem burocratizar e, principalmente, prestar contas de forma clara à população e ao setor turístico.

Com a nova taxa, Angra dos Reis se junta a destinos brasileiros que buscam transformar o turismo em uma atividade mais planejada e sustentável. O desafio, agora, será mostrar na prática que a cobrança resulta em melhorias visíveis para moradores, visitantes, empresários e para o próprio patrimônio natural que faz da cidade um dos lugares mais desejados do país.

Tabela atualizada da Taxa de Turismo Sustentável em Angra dos Reis

Tipo de visitaCondição ou origemValor
Acesso geralContinente ou ilhas, com validade integrada de 30 diasR$ 50,00
Day usePasseio de 1 dia com embarque saindo de Angra dos ReisR$ 28,00 no primeiro ano
Day usePasseio de 1 dia com embarque por outro municípioR$ 50,00 no primeiro ano
Ilhas saindo de outra cidadeCom comprovação de 2 diárias em hospedagem regularizada em AngraR$ 50,00
Ilhas saindo de outra cidadeSem comprovação de hospedagem regularizadaR$ 100,00

Quem tem isenção

  • Moradores de Angra dos Reis;
  • Parentes de moradores até o segundo grau;
  • Prestadores de serviço cadastrados;
  • Crianças de até 12 anos;
  • Idosos a partir de 60 anos;
  • Pessoas com deficiência;
  • Turistas com pacotes adquiridos até 31 de dezembro de 2025 e embarques até 31 de julho de 2026.

Em Gramado, o tema também já fez parte do debate público. A cidade, referência nacional em turismo, criou em 2015 a Taxa de Turismo Sustentável, com objetivo de contribuir para a preservação do município e melhorias de infraestrutura.

Em 2025, a Câmara chegou a aprovar alteração na legislação para permitir a aplicação dos recursos também em eventos de interesse turístico. No entanto, em 2026, o Legislativo aprovou projeto do Executivo para revogar integralmente a lei que instituía a taxa, mostrando como o assunto segue sensível e divide opiniões em destinos turísticos de grande fluxo.

Redação IO
Imagem Ilustrativa
Reprodução

Compartilhe este artigo

Deixe seu comentário

Para comentar na página você deve estar logado em seu perfil do Facebook. Este espaço visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que firam a ética e a moral poderão ser denunciados, acarretando até mesmo na perda da conta. Leia os termos de uso e participe com responsabilidade.

Erro, não existe o grupo! Verifique sua sintaxe! (ID: 5)

Comercial

Redação

© COPYRIGHT 2023 – GOCOM GRUPO ONLINE DE COMUNICAÇÃO. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.