
A entrega da primeira etapa do novo Mercado Maceió, na região do Mercado da Produção, voltou ao centro do debate público na capital alagoana. O que foi anunciado como um marco de requalificação urbana e valorização da economia popular agora enfrenta cobranças de ambulantes e permissionários que afirmam ainda não conseguir trabalhar plenamente no espaço reformado.
O movimento ganhou força nas redes sociais após comerciantes relatarem incerteza, prejuízos e falta de respostas sobre a liberação efetiva da área. Para quem depende da venda diária para sustentar a família, a reclamação vai além da política: envolve renda, dignidade e sobrevivência.
Em vídeos que circulam nas redes sociais, trabalhadores questionam por que a obra foi entregue em ato público se, segundo eles, ainda não havia condições completas para receber os permissionários. A situação expõe um ponto sensível da gestão pública: inaugurar uma obra não significa apenas realizar uma solenidade, mas garantir que ela esteja funcionando para a população.
A própria comunicação oficial da Prefeitura de Maceió apresentou a entrega da primeira etapa do Mercado Maceió como um avanço importante para a economia popular. Na ocasião, o município informou que o espaço contava com 64 boxes, climatização, iluminação em LED, portas automáticas, banheiros adaptados, rampas de acesso, estacionamento e área de aproximadamente 2.500 metros quadrados.
Também foi informado que a obra seguiria em módulos, com remanejamento organizado para que comerciantes não ficassem sem trabalhar durante as próximas etapas. É justamente esse ponto que torna a cobrança dos ambulantes ainda mais sensível. Se a proposta era modernizar o mercado sem interromper o sustento dos trabalhadores, os relatos de quem afirma ainda estar sem acesso pleno ao espaço exigem explicação pública clara.
A cobrança ganhou ainda mais peso político porque a entrega da primeira etapa ocorreu em 4 de abril, mesma data em que JHC formalizou sua renúncia à Prefeitura de Maceió. No dia seguinte, 5 de abril, Rodrigo Cunha foi empossado oficialmente como prefeito. Na prática, os ambulantes cobram respostas tanto de quem entregou a obra quanto de quem hoje administra o município.
O Mercado da Produção é um dos símbolos mais tradicionais da economia popular de Maceió. Mais do que um equipamento público, o local representa memória, abastecimento, circulação econômica e sustento para centenas de famílias. Por isso, qualquer atraso, falha de comunicação ou indefinição administrativa atinge diretamente trabalhadores que vivem da rotina do comércio popular.
A atual gestão municipal fica, agora, diante de um teste importante: esclarecer o que ainda falta para o funcionamento pleno do espaço, informar prazos e garantir que os permissionários tenham segurança para retomar suas atividades.
Maceió precisa de obras estruturantes, mas também de gestão eficiente, transparência e respeito ao trabalhador popular. Modernizar mercados, organizar boxes e melhorar a infraestrutura são avanços importantes. Mas a obra só se completa quando os comerciantes entram, os boxes funcionam, os clientes circulam e a economia local volta a girar.
Para os ambulantes, a urgência é simples: trabalhar. Cada dia sem definição representa perda de renda, insegurança e desgaste emocional. Quando o poder público promete dignidade, essa entrega precisa chegar também ao balcão de quem vende, não apenas ao discurso oficial.
Enquanto as respostas não chegam, permanece a imagem desconfortável de um mercado oficialmente entregue, mas com trabalhadores ainda cobrando condições reais para exercer sua atividade.
O Imprensa Online mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Maceió, do prefeito Rodrigo Cunha e do ex-prefeito JHC.
Redação IO
Imagem: Itawi Albuquerque







