
Jornal reconheceu que o deputado não é formalmente investigado; PF conclui diligências enquanto defesa pede urgência na prova genética
Uma acusação de extrema gravidade ganhou repercussão nacional. Horas depois, a própria Folha de S.Paulo reconheceu um erro decisivo: Alfredo Gaspar não é formalmente investigado no Supremo Tribunal Federal nesse caso.
Existe um pedido da Polícia Federal para abertura de investigação, mas o ministro Gilmar Mendes ainda não autorizou o inquérito. Enquanto aguarda a decisão, Gaspar forneceu material genético e pediu urgência no exame de DNA.
Folha corrigiu informação após cinco horas
A reportagem foi publicada em 5 de agosto de 2026, às 12h33. Às 17h44, cinco horas e onze minutos depois, a Folha acrescentou à página a seção “Erramos”. Na correção, o jornal reconheceu: “O deputado Alfredo Gaspar não é investigado no STF”.
O veículo esclareceu que a Polícia Federal solicitou a investigação, mas que o Supremo ainda não decidiu se autoriza sua abertura. A diferença é fundamental. Ser alvo de um pedido de apuração não significa ocupar formalmente a condição de investigado.
O que existe no STF
A Polícia Federal pediu autorização ao Supremo em 15 de abril, após acusações apresentadas pelos parlamentares Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. Gilmar Mendes encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República. Antes de emitir parecer, a PGR pediu novas diligências à PF.
Somente depois da conclusão dessas providências e da manifestação da Procuradoria, Gilmar decidirá se autoriza o inquérito.
Até o fechamento desta matéria:
- não existe inquérito formalmente aberto contra Alfredo Gaspar nesse procedimento;
- não existe denúncia criminal recebida;
- não existe ação penal ou condenação;
- e não há resultado público do exame de DNA.
A PF trabalha com a meta de enviar o material ao STF na próxima semana, embora possa pedir mais prazo.
Defesa pede exame de DNA em caráter de urgência
O material genético de Alfredo Gaspar foi coletado em 23 de abril, depois de uma autorização judicial obtida pelo próprio deputado em ação de produção antecipada de provas. A defesa solicitou que Gilmar Mendes determine prazo de 72 horas para o início das providências relacionadas ao exame. Também pediu à PGR rapidez na análise.
Segundo os advogados, a comparação genética poderá afastar a suspeita. O resultado, entretanto, ainda não foi divulgado. Portanto, não é correto afirmar que o DNA já inocentou Gaspar. O fato relevante é que o deputado forneceu seu material genético, colocou-se à disposição das autoridades e passou a cobrar publicamente a realização da perícia.
Acusação não pode virar sentença
A correção da Folha é necessária, mas expõe um problema do ambiente digital: acusações graves circulam com muito mais velocidade do que suas retificações. A presunção de inocência não impede investigação ou perguntas duras. Ela impede que uma acusação seja transformada em condenação antes da apresentação das provas.
Alfredo Gaspar nega categoricamente o crime atribuído a ele. Sua defesa ofereceu material genético e afirma que pretende responder cientificamente à acusação. Em uma democracia, uma acusação pode justificar uma apuração rigorosa.
O que ela não pode é transformar-se em sentença apenas pela repetição. O desfecho precisa vir das provas.
Redação IO
Imagem: Geraldo Magela / Agência Senado








