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18 de setembro de 2026

Após pedir desculpas ao Brasil, Cármen Lúcia recebe homenagens e vira “voz sensata” do STF nas redes

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Doze coletivos de magistradas enviaram flores e uma carta de apoio à ministra. Levantamento registrou 18,2 milhões de manifestações sobre a sessão e destacou Cármen Lúcia como principal voz elogiada em meio à crise.

A manifestação da ministra Cármen Lúcia durante a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal, realizada na ultima terça-feira (15), ultrapassou os limites do plenário e provocou uma forte reação no Judiciário e nas redes sociais.

Depois de pedir desculpas à população brasileira, reconhecer que o STF provocou um “mal-estar cívico” e declarar que estava em estado de “profunda consternação e tristeza”, Cármen Lúcia recebeu flores, manifestações de solidariedade e elogios de diferentes setores.

Na quarta-feira (16), 12 coletivos de magistradas de tribunais de diferentes regiões do país enviaram 12 buquês de flores e uma carta de apoio à ministra.

A mensagem central foi direta: “A senhora não está sozinha.”

A homenagem foi organizada após as juízas acompanharem o momento em que Cármen Lúcia pediu desculpas ao povo brasileiro e lamentou não ter conseguido contribuir mais para reduzir a tensão dentro do Supremo.

A carta reconheceu a sensibilidade demonstrada pela ministra e destacou o peso suportado por mulheres que ocupam espaços historicamente dominados por homens. As magistradas ressaltaram que a tristeza manifestada por Cármen Lúcia não deveria ser transformada em culpa pessoal.

O documento foi assinado pelos coletivos Antígona TJPR, Candangas TJDFT, Catarina TJSC, EsperançaR TJRO, Sankofa TJSP e TRF3, Nísia Floresta, Paraibanas TJPB, Teia TRT15, Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário, Comitê de Incentivo à Participação Feminina do TJGO, Grupo Maria Firmina TJMA e Cotovia TJRN.

Cármen Lúcia vira destaque positivo nas redes

A fala também teve grande repercussão digital. Levantamento do Ativaweb DataLab apontou que a sessão do STF gerou mais de 18,2 milhões de registros nas redes sociais em aproximadamente 24 horas.

Segundo o monitoramento, realizado em plataformas como Facebook, Instagram, X e TikTok, cerca de 90,8% das manifestações analisadas sobre a atuação dos ministros tiveram tom crítico.

Em meio à ampla rejeição ao comportamento da Corte, Cármen Lúcia apareceu como o principal destaque positivo. A ministra foi descrita por parte dos usuários como a “voz sensata” do STF. O presidente do Supremo, Edson Fachin, também recebeu elogios.

O levantamento representa a movimentação observada nas plataformas digitais e não uma pesquisa de opinião com amostra da população. Ainda assim, demonstra a dimensão alcançada pelo pronunciamento da ministra.

Ministra volta a falar sobre descrença nas instituições

Um dia depois da sessão, Cármen Lúcia participou virtualmente do XXII Encontro Nacional de Controle Interno e voltou a demonstrar preocupação com a credibilidade das instituições públicas.

Sem entrar novamente nos detalhes do conflito entre os ministros, ela lamentou o momento de “descrença e desânimo” enfrentado pela administração pública.

“A democracia vive da confiança que o cidadão tem nas suas instituições”, declarou.

Cármen Lúcia afirmou que os agentes públicos estão sujeitos a erros, mas ressaltou que a busca pelo acerto é uma obrigação de todos os servidores. Segundo ela, essa postura é indispensável para recuperar a confiança da população no país e na democracia.

Voto pela separação dos processos

Na sessão de terça-feira, Cármen Lúcia votou para que os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem analisados separadamente.

Ela acompanhou o entendimento do presidente do STF, Edson Fachin, além dos votos de André Mendonça e Luiz Fux. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a reunião dos processos.

O placar provisório ficou em 4 votos a 3 pela tramitação separada. Flávio Dino havia indicado posição favorável à unificação, mas pediu vista e solicitou que seu voto não fosse computado naquele momento.

O Supremo não chegou a examinar o mérito das suspeitas nem decidiu sobre a eventual abertura de investigação. A análise ficou suspensa e Dino poderá permanecer com o processo por até 90 dias. O andamento foi confirmado oficialmente pelo STF.

A intervenção de Flávio Dino

Flávio Dino pediu um breve aparte antes que Cármen Lúcia concluísse sua manifestação. A interrupção chamou atenção porque ocorreu justamente durante uma mensagem dirigida à população.

Apesar da impressão provocada pela cena, os registros disponíveis não demonstram que Dino tivesse a intenção de impedir a conclusão do pronunciamento. Cármen Lúcia retomou a palavra e terminou sua exposição.

Depois, Dino classificou a fala como “oportuna, brilhante, madura e assertiva” e sugeriu que o pronunciamento fosse enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Ministério das Relações Exteriores.

Cármen Lúcia atua por trégua no Supremo

A repercussão também ampliou o papel da ministra nos bastidores da crise. Segundo relatos obtidos pela CNN Brasil, Cármen Lúcia passou a colaborar com Edson Fachin em uma tentativa de estabelecer uma trégua entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

A intenção seria evitar que os conflitos internos do STF contaminem ainda mais o processo eleitoral. A movimentação prevê conversas com ministros como Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luiz Fux, embora integrantes da própria Corte demonstrem ceticismo sobre uma reconciliação imediata.

Em uma sessão marcada por acusações, gritos e sucessivas interrupções, a fala de Cármen Lúcia acabou se transformando no momento de maior conexão entre o Supremo e a população.

As flores, a carta das magistradas e a repercussão positiva nas redes mostram que o pedido de desculpas encontrou respaldo justamente por reconhecer algo que milhões de brasileiros demonstravam sentir: o STF, responsável por oferecer segurança jurídica e estabilidade institucional, passou a produzir intranquilidade e descrença.

Redação IO
Imagem: Ilustrativa

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