DÓLAR HOJE:
Euro Hoje
8 de julho de 2026

Presa há cerca de 45 dias, Deolane relata crises de pânico, mas MP defende permanência no presídio

Ouça este artigo

Compartilhe este artigo

Influenciadora teria manifestado medo de permanecer sozinha e passou a dividir cela com outra detenta; Ministério Público afirma que não encontrou irregularidades capazes de justificar prisão domiciliar

Presa preventivamente há 45 dias na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, Deolane Bezerra enfrenta agora uma nova frente dentro da disputa judicial por sua liberdade: relatos de crises de pânico e medo de permanecer sozinha durante o período de encarceramento.

As informações aparecem em documentação apresentada no contexto da análise de um pedido da defesa, que busca prisão domiciliar ou transferência para uma Sala de Estado-Maior. Segundo o conteúdo divulgado, Deolane teria relatado síndrome do pânico e receio de permanecer sozinha quando as portas das celas são fechadas. Por essa razão, passou a pernoitar na cela de outra detenta.

O episódio adiciona um componente delicado a um processo já cercado de forte repercussão nacional. De um lado, a defesa tenta demonstrar que as condições atuais de encarceramento não seriam adequadas à situação da advogada e influenciadora. Do outro, o Ministério Público de São Paulo sustenta que não foram identificadas irregularidades capazes de justificar a mudança do regime de custódia.

Medo de ficar sozinha teria levado Deolane a dividir cela

Segundo as informações apresentadas, havia possibilidade de permanência em cela individual. Ainda assim, Deolane teria preferido dividir o espaço com outra presa em razão das crises e do receio de passar a noite sozinha.

O Ministério Público afirma que essa permanência conjunta ocorreu de forma voluntária e com o consentimento da outra detenta. O órgão também sustenta que Deolane está alojada em um pavilhão especial, com contato limitado com outras presas.

O ponto chama atenção porque coloca a saúde mental no centro de uma discussão judicial mais ampla. Não se trata apenas de onde Deolane está presa, mas de saber se as condições pessoais relatadas são suficientes para alterar a forma como a prisão preventiva vem sendo cumprida.

MP diz não ter encontrado irregularidades no presídio

Apesar dos relatos sobre crises de pânico, o Ministério Público se posicionou contra a concessão da prisão domiciliar.

Segundo o órgão, não foram constatados problemas graves relacionados a atendimento de saúde, alimentação, higiene, segurança, acesso à água ou superlotação que justificassem a retirada da influenciadora da unidade prisional. O MP também argumenta que o pavilhão especial já reduz o contato com a população carcerária em geral.

É justamente aí que está o principal embate.

A situação psicológica relatada por Deolane é apresentada como argumento relevante dentro da discussão sobre sua permanência no presídio. Ao mesmo tempo, o Ministério Público entende que as condições verificadas na unidade não sustentam, por si só, a concessão de prisão domiciliar ou transferência.

Defesa e Ministério Público travam nova disputa

O caso não se limita ao debate sobre saúde mental. Deolane está presa preventivamente e responde a acusações de lavagem de dinheiro e associação com organização criminosa. Segundo a cobertura do processo, ela se tornou ré no fim de junho.

A investigação atribui à influenciadora suposto envolvimento no recebimento de valores considerados ilícitos e menciona movimentações financeiras incompatíveis, segundo os investigadores, com a capacidade econômica declarada. As acusações ainda serão examinadas no processo judicial, e a condição de ré não equivale a condenação.

A defesa busca modificar as condições da prisão, enquanto o Ministério Público pede a rejeição do habeas corpus.

Caso ganha dimensão além da prisão

A situação de Deolane expõe uma discussão que vai além da figura pública envolvida.

Prisões preventivas não representam cumprimento antecipado de pena, e pessoas custodiadas continuam tendo direito à integridade física e mental. Ao mesmo tempo, alegações de saúde precisam ser avaliadas à luz de documentação, condições concretas da unidade e decisões judiciais.

No caso de Deolane, esse equilíbrio passa agora por uma questão central: os relatos de crises de pânico e medo de permanecer sozinha são suficientes para justificar uma mudança na forma de cumprimento da prisão preventiva?

Por enquanto, o Ministério Público entende que não.

A palavra final caberá à Justiça.

Redação IO
Imagem: Reprodução Ilustrativa
Folhapress

Compartilhe este artigo

Deixe seu comentário

Para comentar na página você deve estar logado em seu perfil do Facebook. Este espaço visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que firam a ética e a moral poderão ser denunciados, acarretando até mesmo na perda da conta. Leia os termos de uso e participe com responsabilidade.

Erro, não existe o grupo! Verifique sua sintaxe! (ID: 5)

Comercial

Redação

© COPYRIGHT 2023 – GOCOM GRUPO ONLINE DE COMUNICAÇÃO. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.