
Entre janeiro e maio, 21 pessoas foram atendidas após quedas em via pública; uso sem capacete, excesso de velocidade e circulação em áreas movimentadas preocupam equipes de urgência
Os patinetes e as bicicletas elétricas viraram parte da paisagem da orla de Maceió. Em poucos meses, os equipamentos passaram a dividir espaço com pedestres, ciclistas, turistas, corredores, famílias e trabalhadores que circulam diariamente por uma das áreas mais movimentadas da capital alagoana.
A novidade trouxe praticidade, lazer e uma nova alternativa de mobilidade. Mas também acendeu um alerta para as equipes de saúde. Dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência mostram que, entre janeiro e maio deste ano, 21 pessoas precisaram de atendimento após quedas em via pública envolvendo esse tipo de equipamento.
A média é de 4,2 ocorrências por mês. O número, segundo avaliação das equipes de urgência, pode ser ainda maior, já que nem todos os acidentes chegam a ser registrados pelo Samu. Muitos casos leves acabam sendo atendidos por familiares, amigos ou em unidades de saúde, sem passar pela central de emergência.
O problema é que nem sempre a queda é simples. Dependendo da velocidade, da forma do impacto e da ausência de equipamentos de proteção, o acidente pode provocar fraturas, cortes, lesões na face, traumatismos e ferimentos com potencial de gravidade.
O alerta ganha força porque os acidentes costumam ocorrer em áreas de grande circulação, especialmente nos fins de semana, quando a orla recebe mais moradores e turistas. Em meio ao movimento intenso, uma manobra brusca, uma distração ou o uso indevido do equipamento pode colocar em risco não apenas o condutor, mas também pedestres e outras pessoas que passam pelo local.
Atualmente, Maceió conta com cerca de 150 patinetes e 70 bicicletas elétricas disponíveis inicialmente para aluguel na orla. A adesão rápida mostra que a população aprovou a novidade. Mas o crescimento do serviço também exige responsabilidade de quem usa, de quem disponibiliza e de quem fiscaliza.
Entre os principais fatores de risco estão o uso sem capacete, a condução por crianças, o transporte de mais de uma pessoa no mesmo equipamento, o excesso de velocidade, o uso de celular durante o trajeto e a circulação em locais inadequados.
O Departamento Municipal de Transportes e Trânsito já definiu regras para esse tipo de transporte. Em áreas de pedestres, a velocidade máxima permitida é de 6 km/h. Em ciclovias, ciclofaixas e espaços compartilhados, os limites variam entre 20 km/h e 25 km/h, conforme o tipo de equipamento. Também é proibido conduzir sob efeito de álcool, disputar corridas ou realizar manobras perigosas.
Na prática, no entanto, o desafio está em transformar a regra em comportamento. Não basta que a norma exista no papel. É preciso que o usuário conheça as orientações antes de iniciar o passeio, que as empresas reforcem a segurança e que o poder público mantenha fiscalização adequada nos pontos de maior movimento.
A mobilidade elétrica não precisa ser tratada como vilã. Patinetes e bicicletas elétricas podem reduzir deslocamentos curtos de carro, melhorar a integração com outros modais e oferecer uma opção prática para moradores e visitantes. O problema começa quando o lazer vira imprudência e quando a sensação de liberdade passa por cima da segurança coletiva.
O Samu orienta que os usuários adotem medidas simples de prevenção, como usar capacete, respeitar a velocidade permitida, evitar manobras arriscadas, não transportar passageiros no mesmo equipamento e não usar celular durante a condução. Em caso de acidente com dor intensa, suspeita de fratura, sangramento importante, desmaio ou trauma na cabeça, a recomendação é acionar o serviço de emergência pelo 192.
A popularização dos patinetes e bicicletas elétricas mostra que Maceió acompanha uma tendência mundial de mobilidade urbana. Mas a cidade agora precisa enfrentar a outra parte dessa transformação: garantir que a inovação não venha acompanhada de mais vítimas no trânsito.
Redação IO
Imagem Ilustrativa








