
Presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas afirma que debate sobre o caso não pode ser substituído por ataques políticos e defende transparência sobre aplicações envolvendo aposentados e pensionistas de Maceió
O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, deputado Marcelo Victor, saiu em defesa dos senadores Renan Calheiros e Renan Filho após o embate político registrado no Senado Federal em meio às discussões sobre o caso Banco Master.
A manifestação ocorreu depois de uma audiência da Comissão de Assuntos Econômicos, onde o tema voltou ao centro do debate nacional e provocou troca de acusações entre parlamentares alagoanos.
Em publicação nas redes sociais, Marcelo Victor classificou como ataques políticos as tentativas de desqualificar a trajetória pública dos dois senadores do MDB. Para o presidente da ALE, o foco da discussão deve permanecer nas perguntas que ainda precisam ser respondidas sobre as aplicações de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió, o Iprev, em ativos ligados ao Banco Master.
A fala de Marcelo Victor amplia a repercussão política do caso e reforça a cobrança por transparência. Segundo ele, a sociedade alagoana tem o direito de saber quem levou o Banco Master a operar junto à Prefeitura de Maceió e ao instituto previdenciário municipal, especialmente diante da possibilidade de impacto sobre aposentados e pensionistas.
O caso ganhou ainda mais força após Renan Calheiros acionar a Justiça para questionar investimentos feitos pelo Iprev em Letras Financeiras do Banco Master. A ação pede a anulação das aplicações e aponta possível prejuízo milionário ao fundo previdenciário municipal. O ponto central, agora, é esclarecer quais critérios foram usados para autorizar as operações, quem participou das decisões e quais garantias existem para proteger os servidores.
Durante a audiência no Senado, a senadora Eudócia Caldas rebateu as críticas envolvendo a gestão do ex-prefeito JHC e defendeu que o Iprev teria autonomia administrativa para suas decisões. Ela também cobrou investigação ampla sobre o chamado caso BMG-Master e negou relação direta entre JHC e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Mesmo com o tom político elevado, o episódio ultrapassa a disputa partidária. O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, e as operações relacionadas à instituição vêm sendo analisadas por órgãos de controle, pelo Senado e pela Justiça. Em Alagoas, o tema ganhou peso adicional por envolver recursos previdenciários de servidores públicos municipais.
Na Assembleia Legislativa, deputados também demonstraram preocupação com a situação do Iprev. O debate incluiu alertas sobre risco fiscal, necessidade de apuração rigorosa e cobrança de explicações sobre a destinação de recursos públicos a instituições consideradas de maior risco.
Ao se posicionar, Marcelo Victor tentou deslocar o centro da discussão dos ataques pessoais para a responsabilidade institucional. Para ele, questionar operações financeiras envolvendo dinheiro público não é perseguição política, mas dever de fiscalização.
A crise envolvendo o Banco Master, o BRB e fundos previdenciários se transformou em um dos temas mais sensíveis da política nacional e estadual. Em Alagoas, porém, a pergunta que mais pesa é direta: quem autorizou as aplicações do Iprev, com base em quais informações e quem responderá caso fique comprovado prejuízo aos aposentados e pensionistas?
Enquanto os lados políticos trocam acusações, a população espera respostas objetivas. O caso exige transparência, documentos, responsabilização e, acima de tudo, proteção ao dinheiro de quem contribuiu durante anos esperando segurança na aposentadoria.
Redação IO
Imagem: Ascom ALE-AL







