
Registros do projeto Labium Imagem na Quarentena, da Ufal, ajudam a preservar a memória de um dos períodos mais difíceis da história recente do país
Fotografias produzidas em Alagoas durante o período de isolamento social da pandemia de covid-19 passaram a integrar uma exposição nacional dedicada à preservação da memória da crise sanitária no Brasil.
Os registros fazem parte do projeto Labium Imagem na Quarentena, desenvolvido na Universidade Federal de Alagoas, e estão presentes na mostra itinerante “A Infinita Memória da Pandemia: a história da Covid-19 por todos nós, brasileiros”, aberta ao público em Brasília.
A exposição está em cartaz no Shopping Conjunto Nacional, com entrada gratuita, e reúne relatos, fotografias, vídeos, cartas, diários, mensagens e testemunhos de pessoas de diferentes regiões do país. A proposta é transformar memórias digitais produzidas durante a pandemia em uma experiência coletiva, sensorial e reflexiva.
O acervo alagoano nasceu dentro do curso de Jornalismo da Ufal, a partir de uma iniciativa coordenada pela professora Janayna Ávila. Durante a quarentena, estudantes e servidores da universidade foram convidados a registrar, por meio da fotografia, cenas do cotidiano, sentimentos, ausências, mudanças de rotina e detalhes da vida em meio ao isolamento.
Ao todo, a coleção reúne 68 registros produzidos entre junho e setembro de 2020. As imagens retratam diferentes formas de viver a pandemia em Alagoas, passando pelo ambiente doméstico, pelas ruas esvaziadas, pelo medo, pela solidão, pela saudade, mas também por gestos de afeto, resistência e esperança.
Mais do que uma exposição fotográfica, o projeto representa um exercício de memória coletiva. Em um período marcado por perdas, incertezas e distanciamento físico, as imagens se tornaram uma forma de comunicação, documentação e permanência. Cada fotografia carrega uma parte da experiência vivida por quem precisou reorganizar a própria rotina diante de uma crise sanitária sem precedentes.
A participação de Alagoas na exposição reforça a importância da produção universitária e da fotografia como instrumento de registro histórico. Ao sair do ambiente digital e ocupar um espaço expositivo nacional, o material produzido na Ufal ganha nova dimensão e passa a dialogar com memórias de brasileiros de diferentes regiões, classes sociais e realidades.
A mostra integra as ações do Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com instituições como a Organização Pan-Americana da Saúde, a Bireme/Opas/OMS e o Centro de Humanidades Digitais da Unicamp. Depois da etapa em Brasília, a exposição deve circular por outras capitais brasileiras antes de se tornar parte permanente do Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro.
Em tempos em que a memória pode ser apagada pela velocidade das redes e pela urgência de novos acontecimentos, iniciativas como essa ajudam a lembrar que a pandemia não foi apenas um dado estatístico. Foi uma experiência humana, marcada por rostos, casas, silêncios, despedidas, medos e sobrevivências.
As fotografias feitas em Alagoas agora passam a compor esse acervo nacional. São imagens de um tempo difícil, mas necessário de ser lembrado, para que a dor vivida também se transforme em consciência, história e aprendizado.
Redação IO
Imagem: Reprodução







