
Operação Rábula apura uso de documentos falsos para realização irregular de provas; OAB afirma apoiar investigação e defende rigor na apuração
A Polícia Federal deflagrou a Operação Rábula para investigar um suposto esquema de fraude no Exame de Ordem Unificado da Ordem dos Advogados do Brasil. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Maceió, em Alagoas, e São Paulo, por determinação da Justiça Federal de Alagoas.
De acordo com a PF, a investigação apura a atuação de uma associação criminosa suspeita de viabilizar a realização fraudulenta das provas por meio do uso de documentos de identificação falsificados. A suspeita é de que pessoas se passavam por candidatos regularmente inscritos para fazer a prova no lugar deles.
O caso começou a ser investigado em outubro de 2025, após a prisão em flagrante de um homem durante a prova prático-profissional, a segunda fase do 44º Exame de Ordem Unificado. Segundo a Polícia Federal, ele teria tentado realizar a prova se passando por outro candidato.
Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram indícios de uma possível estrutura de intermediação voltada à aprovação irregular no exame, mediante pagamento e promessa de êxito. A PF também aponta a suspeita de participação de um falsário responsável pela contratação ou produção dos documentos usados no esquema.
A apuração não se limita apenas ao episódio registrado no 44º Exame de Ordem. Segundo a Polícia Federal, há indícios de atuação do grupo também nas provas do 42º e do 43º Exames de Ordem Unificados. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos smartphones e mídias, que serão analisados ao longo da investigação.
A dimensão do caso ainda depende do resultado da análise do material recolhido e dos próximos passos da investigação. Até o momento, a apuração trata de suspeitas, e eventuais responsabilizações dependerão do avanço do processo, com garantia do devido processo legal.
O Conselho Federal da OAB afirmou apoio à atuação da Polícia Federal e declarou que a lisura, a credibilidade e a segurança do Exame de Ordem são princípios inegociáveis para a advocacia brasileira. A entidade também informou que mantém cooperação com órgãos de investigação e fiscalização para prevenir e combater tentativas de fraude.
A OAB Alagoas também se manifestou sobre o caso e reforçou que acompanha os desdobramentos da investigação, em alinhamento com o Conselho Federal. A seccional defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas pelas autoridades competentes, com adoção das medidas cabíveis e respeito ao devido processo legal.
O Exame de Ordem é uma das etapas mais importantes para quem deseja exercer a advocacia no Brasil. Por isso, qualquer suspeita de fraude atinge não apenas os candidatos envolvidos, mas também a confiança pública no sistema de avaliação profissional.
A investigação expõe um ponto delicado: a necessidade de preservar a credibilidade do exame sem antecipar julgamentos. Se as suspeitas forem confirmadas, o caso pode representar uma violação grave à igualdade entre candidatos e à própria segurança institucional da advocacia.
Ao mesmo tempo, a apuração precisa seguir com responsabilidade. O papel das autoridades será esclarecer se houve fraude, quem participou, como o suposto esquema funcionava e se outras edições do exame foram comprometidas.
Mais do que um caso policial, a Operação Rábula coloca em debate a proteção de uma porta de entrada essencial para o exercício da advocacia. Para milhares de bacharéis em Direito que estudam e disputam uma aprovação de forma regular, a resposta das instituições será decisiva para preservar a confiança no processo.
Redação IO
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