
Caminhão teria invadido a pista contrária e atingido micro-ônibus que levava pacientes para hospitais; tacógrafo não funcionava plenamente e hipótese de motorista ter dormido ao volante é investigada
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontou um forte indício de que o motorista do caminhão tenha saído da própria faixa e provocado a colisão frontal que deixou 23 pessoas mortas e outras cinco feridas na BR-373, no Paraná, na madrugada desta quarta-feira (19).
O acidente aconteceu por volta das 3h30, no km 209 da rodovia, em Ipiranga, nos Campos Gerais. A colisão envolveu um caminhão e um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva, que transportava pacientes e acompanhantes para tratamentos médicos em hospitais da Grande Curitiba.
Das 23 pessoas que morreram, 22 estavam no micro-ônibus e uma era o motorista do caminhão. As vítimas fatais são 13 mulheres, oito homens e duas crianças. Outras cinco pessoas sobreviveram e foram encaminhadas para unidades de saúde em Ponta Grossa. Informações iniciais apontavam três feridos em estado grave e dois com ferimentos moderados.
A dimensão da tragédia levou a PRF a classificar a ocorrência como a mais grave registrada pela corporação nas rodovias do Paraná desde janeiro de 2021.
PRF aponta forte indício de invasão da pista contrária
Durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, a PRF informou que os vestígios encontrados no local indicam, até o momento, que o caminhão deixou sua faixa de circulação e atingiu o micro-ônibus que trafegava no sentido contrário.
Segundo a corporação, trata-se de um forte indício de que o erro tenha partido do motorista do caminhão, mas a dinâmica definitiva da colisão dependerá da conclusão dos laudos da PRF e da Polícia Científica.
Uma marca de frenagem também foi localizada na pista. O vestígio, entretanto, não é suficiente isoladamente para determinar todos os fatores que provocaram o acidente.
As autoridades informaram ainda que não havia condição climática adversa significativa no momento da batida. Por causa do horário em que ocorreu o acidente e das circunstâncias observadas inicialmente, a possibilidade de o caminhoneiro ter dormido ao volante está entre as hipóteses analisadas.
A PRF ressalta, porém, que essa possibilidade ainda não está comprovada e somente os trabalhos periciais poderão apontar a causa predominante da tragédia.
Tacógrafo não funcionava plenamente
Outro ponto que passou a fazer parte da investigação envolve o tacógrafo do caminhão.
De acordo com a PRF, o equipamento estava aferido, mas não funcionava plenamente no momento da colisão. O tacógrafo é responsável por registrar informações importantes da condução do veículo, como velocidade, distância percorrida e períodos de deslocamento.
Com a falha, os investigadores terão que cruzar os demais vestígios encontrados no local, levantamentos técnicos e exames periciais para reconstruir com precisão os momentos que antecederam o impacto.
O caminhão envolvido na colisão era um Scania com placas de Erechim, no Rio Grande do Sul, e seguia no sentido de Carambeí para Prudentópolis.
Micro-ônibus levava pacientes para hospitais
O micro-ônibus pertencia à Secretaria de Saúde de Imbituva e realizava um deslocamento utilizado por moradores que precisam de atendimento médico fora do município.
Na madrugada desta quarta-feira, pacientes e acompanhantes seguiam para consultas e tratamentos em hospitais da região de Curitiba quando ocorreu a colisão frontal.
A tragédia provocou forte comoção em Imbituva. A Prefeitura suspendeu os atendimentos ao público e as aulas nesta quarta-feira e mobilizou equipes para prestar assistência aos familiares.
O Governo do Paraná decretou luto oficial de três dias pelas vítimas do acidente.
Força-tarefa para identificar as vítimas
Diante do elevado número de mortos, a Polícia Científica do Paraná acionou o protocolo internacional DVI (Disaster Victim Identification), utilizado em ocorrências com múltiplas vítimas.
Equipes de diferentes regiões foram mobilizadas para Ponta Grossa, onde os corpos passaram por exames periciais e procedimentos de identificação. O trabalho pode envolver impressões digitais, dados biométricos, documentação e exames de DNA.
Polícia Científica, Polícia Civil, Polícia Militar e outros órgãos participam da força-tarefa, que também oferece apoio psicológico e orientação aos familiares.
A prioridade é concluir as identificações para possibilitar a liberação dos corpos e a realização dos velórios.
Prefeitura começa a divulgar nomes das vítimas
Por volta das 15h30 desta quarta-feira, a Prefeitura de Imbituva começou a divulgar os nomes de vítimas cuja identificação já havia sido confirmada.
Entre os nomes informados estão Erick Wiertel, motorista da Saúde; Azelia Grisoski Stadler; Elizabete Malaquias; Miriam Vieira Magalhães; Willieny Brandt Marconato; Meirielli Neiverth Marconato; Rosemari Nortok Cosmo; Nelson Luiz Bronguel; Lucimara Guilherme; Valderi Stadler; Edineia Lemes Batista; Adenilson Chaves dos Santos; Liane Bienert; João Paulo de Almeida; e Alex Rivail, identificado como condutor do caminhão e morador de Castro.
A divulgação ocorre gradualmente, após a confirmação formal das identidades e a comunicação aos familiares.
Investigação continua
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar as circunstâncias da colisão. Paralelamente, a PRF e a Polícia Científica elaboram seus próprios laudos técnicos.
Embora os vestígios iniciais apontem para a saída do caminhão de sua faixa de circulação, as autoridades reforçam que a causa definitiva do acidente ainda depende da conclusão das perícias.
A BR-373 chegou a ficar totalmente interditada após a colisão para os trabalhos das equipes de resgate, retirada dos veículos e realização da perícia. A rodovia foi posteriormente liberada.
Redação IO
imagem: Reprodução








