
Pedido chega à Justiça após prejuízo bilionário, fechamento de 298 lojas e cortes de milhares de empregos; ainda não há confirmação sobre unidades atingidas em Alagoas
O Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A empresa declarou possuir dívidas de aproximadamente R$ 17,3 bilhões e atribuiu o agravamento da crise aos juros elevados, à restrição de crédito, ao aumento dos custos financeiros e à pressão sobre o consumo.
O pedido foi apresentado na noite desse domingo (16) e envolve dez empresas do grupo, entre elas as operações das marcas Casas Bahia e Ponto, o comércio eletrônico Extra.com, a fabricante de móveis Bartira e subsidiárias das áreas de logística e tecnologia.
Do passivo informado à Justiça, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores sem garantia. Outros R$ 754 milhões são créditos trabalhistas, enquanto aproximadamente R$ 154 milhões envolvem microempresas e empresas de pequeno porte.
A recuperação judicial ainda precisa ser analisada pela Justiça. O protocolo do pedido, por si só, não significa que o processo já tenha sido deferido.
Quase 300 lojas fechadas
A reestruturação apresentada pelo grupo inclui o fechamento de 298 lojas e a redução de aproximadamente 3 mil postos de trabalho. Antes dos cortes, a companhia informava possuir pouco mais de 30 mil funcionários.
As demissões provocaram reação de sindicatos, que questionam a ausência de negociação coletiva prévia e avaliam medidas judiciais para discutir os desligamentos, benefícios e eventuais possibilidades de realocação dos trabalhadores.
Até a publicação desta matéria, não havia sido divulgada uma relação oficial das lojas atingidas. Também não existe confirmação pública de que unidades localizadas em Maceió ou em outros municípios de Alagoas estejam entre os estabelecimentos fechados.
Prejuízo chegou a R$ 10,1 bilhões
A crise se agravou depois de o Grupo Casas Bahia divulgar prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, contra uma perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior.
Grande parte do resultado, porém, decorre de ajustes contábeis. Cerca de R$ 9,1 bilhões foram classificados como efeitos não recorrentes e sem impacto imediato no caixa. Desconsiderando esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
Mesmo com a receita líquida crescendo 1,6% e se aproximando de R$ 7 bilhões, as despesas com vendas avançaram 17% e chegaram a aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
A empresa também encontrou dificuldades para captar novos recursos e repor estoques. Como parte da tentativa de manter as operações, o grupo busca uma linha de financiamento de até R$ 1 bilhão destinada a empresas em recuperação judicial.
Empresa pede proteção para manter operações
Entre as medidas solicitadas estão a suspensão das execuções e cobranças por 180 dias, a proibição do vencimento antecipado de contratos e a manutenção do fluxo de recebíveis de cartões e pagamentos por Pix.
A varejista também quer assegurar a entrega de mercadorias que já estavam em trânsito e evitar que fornecedores interrompam operações essenciais.
Segundo a companhia, a recuperação judicial será utilizada como instrumento para reorganizar o passivo, proteger o caixa e preservar a continuidade das atividades.
O que acontece com carnês e compras
Clientes que já receberam os produtos devem continuar pagando normalmente as parcelas dos carnês. O pedido de recuperação judicial não cancela as obrigações assumidas pelos consumidores.
A empresa também continua responsável pelas entregas contratadas, garantias e assistência relacionada aos produtos vendidos. Caso uma compra não seja entregue, o consumidor poderá exigir o cumprimento da oferta ou solicitar o cancelamento e a devolução dos valores, conforme o Código de Defesa do Consumidor.
Mesmo que uma loja física seja fechada, o cliente poderá procurar os canais oficiais da empresa, registrar reclamação no Procon ou recorrer à Justiça.
A situação das lojas e dos funcionários em Alagoas continuará sendo acompanhada e a matéria será atualizada assim que a empresa divulgar a lista completa das unidades atingidas.
Redação IO
Imagem: Reprodução








