
A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió reforçou as orientações à população sobre a infecção por hantavírus, após a repercussão internacional de casos associados ao navio MV Hondius.
Apesar do alerta global em torno do episódio, a recomendação das autoridades locais é de tranquilidade, informação correta e prevenção, especialmente em situações de possível contato com roedores silvestres ou ambientes contaminados por urina, fezes e saliva desses animais.
De acordo com a SMS, o hantavírus pertence à família Hantaviridae e é transmitido principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes em locais onde há circulação de roedores infectados.
A infecção também pode ocorrer por contato direto com secreções, mordeduras ou manipulação de materiais contaminados. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma zoonose viral aguda que pode se apresentar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, condição rara, mas de evolução potencialmente grave.
O reforço das orientações ocorre em um momento de maior atenção mundial ao tema. A Organização Mundial da Saúde informou, em boletim de 13 de maio, que recebeu notificação sobre um agrupamento de casos de doença respiratória grave a bordo do MV Hondius, com 11 casos relatados até aquela data, incluindo três mortes.
Mesmo assim, a OMS avaliou como baixo o risco do evento para a população global. Já o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças informou nesta quarta-feira (20) que, até a atualização das 14h, havia 11 casos associados ao navio, sendo nove confirmados e dois prováveis, sem novos casos ou mortes em relação à atualização anterior.
Em Maceió, a Secretaria Municipal de Saúde destacou que não há motivo para alarme coletivo. O médico infectologista Renee Oliveira explicou, em orientação divulgada pela pasta, que a maioria dos hantavírus não apresenta transmissão de pessoa para pessoa. A principal exceção é o vírus Andes, descrito na América do Sul, que pode ter transmissão interpessoal em situações específicas de contato próximo e prolongado.
Os sintomas iniciais da hantavirose podem ser confundidos com outras doenças comuns, como influenza, Covid-19, dengue, leptospirose ou pneumonia. Entre os sinais de atenção estão febre, dor muscular, dor de cabeça, mal-estar, náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia. Nos quadros mais graves, a evolução pode incluir tosse seca, falta de ar, respiração acelerada, queda de pressão, edema pulmonar, insuficiência respiratória aguda e choque.
A dificuldade de identificação precoce exige atenção ao histórico de exposição. A suspeita aumenta quando a pessoa apresenta sintomas após contato com áreas onde há presença de roedores, como galpões, depósitos, áreas rurais, trilhas, celeiros, locais fechados há muito tempo ou ambientes com poeira contaminada. A confirmação da doença depende de exames laboratoriais específicos, realizados pela rede de referência.
A SMS orienta que a população procure atendimento médico em caso de febre, dor intensa no corpo, sintomas gastrointestinais ou mal-estar importante após exposição a locais com roedores. A busca por atendimento de urgência deve ser imediata se houver falta de ar, tosse seca progressiva, tontura, queda de pressão, lábios arroxeados, confusão mental, saturação baixa ou piora rápida do estado geral.
O Ministério da Saúde informa que não há tratamento específico para infecções por hantavírus. O atendimento é baseado em suporte clínico, conforme a gravidade do caso, o que pode incluir monitoramento, oxigênio, suporte ventilatório e internação. Por ser uma doença aguda e de rápida evolução, a hantavirose é de notificação compulsória imediata, devendo ser comunicada às autoridades de saúde em até 24 horas.
A prevenção segue como principal medida de proteção. Entre os cuidados recomendados estão evitar contato com roedores silvestres e suas excretas, manter terrenos limpos, dar destino adequado a entulhos, armazenar alimentos em recipientes fechados e impedir o acesso de roedores a residências, depósitos e locais de trabalho. Em cabanas, galpões ou espaços fechados por muito tempo, a orientação é arejar, limpar e descontaminar o ambiente antes do uso.
Com a divulgação das orientações, a Saúde de Maceió busca equilibrar vigilância e serenidade. O objetivo é evitar desinformação, reduzir riscos reais e reforçar que a população deve se guiar por fontes oficiais. A mensagem central é clara: não há indicação de pânico, mas a prevenção contra roedores e a procura rápida por atendimento diante de sintomas suspeitos continuam sendo medidas essenciais de proteção.
Redação IO
Imagem: Reprodução Redes Sociais







